Biografia autorizada de Xuxa não tem novidades

Não tirem de Xuxa o (de)mérito pela exibição televisiva da novela da vida real. ´Casa dos Artistas´? Que nada! Bem antes de Silvio Santos mostrar em cadeia nacional os arranca-rabos e arranca-roupas de pseudocelebridades, Maria da Graça Meneghel já dividia os seus com milhões de telespectadores. Em 1996, Xuxa revelou em seu programa estar solitária, ansiosa por casar e ter filhos. Em 1997, anunciou a gravidez no ´Domingão do Faustão´. E em 1998 mostrou o nascimento de Sasha no ´Jornal Nacional´. Tanta comunhão com o público fez com que restassem poucos fatos inéditos para o livro Xuxa, a biografia autorizadíssima (e, por isso mesmo, nada surpreendente) que a apresentadora acaba de lançar pela editora Artmeios. Trata-se, na verdade, de um registro fotográfico com mais de 130 imagens e de um resumo da vida artística (há outra?) de Xuxa, uma retrospectiva de seus trabalhos como modelo, apresentadora, cantora e atriz e de suas iniciativas beneficentes. Xuxa, o livro, traz depoimentos de inúmeros amigos da artista e mostra uma garota gente boa, batalhadora, companheira, incapaz de fazer diferença entre um camareiro e um executivo da Globo. Até os defeitos dela, quando citados, confundem-se com qualidades. "Ela é teimosa, fala demais e não sabe mentir", diz Marlene Mattos, a empresária e companheira inseparável. Leia-se: é perseverante, sincera, verdadeira. A biografia de Santa Xuxa, é claro, não aborda passagens que poderiam macular sua loura imagem. E cita rapidamente trabalhos pouco honrosos como o filme Amor, Estranho Amor (1982), de Walter Hugo Khouri, famoso pelas cenas em que Xuxa seduz uma criança. "Ser picante não é a intenção do projeto", explica a editora Cássia Fragata, responsável por organizar a obra (primeiro volume de uma coleção sobre celebridades) juntamente com a jornalista Ana Lúcia Neiva. Mas se o objetivo é retratar carreiras, por que abordar o namoro de Xuxa com Ayrton Senna, com Pelé e Luciano Szafir? "A história de vida da Xuxa se confunde com a história profissional. Ela tem muita garra e, por falta de tempo, abriu mão de muita coisa, inclusive de romance, ao longo desses anos." Abriu mão, também, de conversar com a jornalista. Quem deu entrevistas para Cássia foram Marlene Mattos e Mônica Muniz, assessora de imprensa da apresentadora há 17 anos. "Mas a Xuxa leu tudo, fez observações e acrescentou seus depoimentos no texto", apressa-se em dizer Cássia. Por tudo isso, Xuxa é simplesmente um produto para fãs desejosos de colecionar tudo o que saia sobre a apresentadora - e que vem a somar-se aos mais de 200 artigos licenciados, de tomates a brinquedos, pela Xuxa Produções. Até mesmo as histórias de bastidores, tão comuns em biografias, são escassas no livro. A informação mais curiosa contida nele é a de que Xuxa iria se chamar, a princípio, Morgana Sayonara. Só foi batizada Maria da Graça porque quase morreu na hora do parto - tendo sobrevivido, a família resolveu dar a ela o nome de uma santa. Histórias de bastidores se encontram, sim, na entrevista que a apresentadora deu à revista Marie Claire, publicada este mês. Nela, Xuxa conta que sua mãe a incentivava até mesmo na época em que posou nua - para que o bumbum da filha ficasse em mais evidência, Dona Alda chegou a sugerir que cortassem as franjinhas de uma saia durante uma sessão de fotos para a revista Ele&Ela. Na Marie Claire, Xuxa responde a perguntas sobre os boatos acerca de sua homossexualidade - "não tive muitos namorados porque nunca quis ser um troféu para ninguém" - e sobre os beliscões que, diz-se, ela dava nas crianças no palco de seu programa. "Não as trato como retardadas", disse. "Sempre foi uma coisa de igual para igual. Se tinha alguma criança sentada no meu lugar, eu dizia: ´E aí, vai sair ou não vai?´" Pequenas discussões como essa, narrada pela apresentadora, tiveram lugar, como tudo o que se refere a Xuxa, diante das câmeras.

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