Biodiversidade brasileira é tema de documentário

Uma parceria entre a TV Cultura e a Natura está viabilizando a realização de uma série de programas e reportagens sobre a biodiversidade brasileira. O material deverá compor um banco de imagens inédito, que será disponibilizado para pesquisadores e público em geral. O primeiro documentário produzido para o projeto ? Primeiro Mundo é Aqui -, dirigido pelo jornalista Washington Novaes, será exibido pela emissora no próximo dia 8 de dezembro, às 21 horas.O projeto Biodiversidade Brasil, que vai até março de 2004, inclui ainda reportagens semanais no programa Repórter Eco, a produção pela TV Cultura de um programa de debates mensal e pelo menos mais dois documentários. Segundo Marcelo Araújo, vice-presidente de Comercialização da Natura, a participação da empresa, que está investindo R$ 3 milhões no projeto, vai além do simples patrocínio. ?Trabalhamos com esse tema há quatro anos e constatamos como é difícil ter acesso e informação sobre a biodiversidade brasileira. No entanto, alguém vai chegar e descobrir a Amazônia. Queremos fomentar o debate sobre o assunto para que os próprios brasileiros sejam detentores desse conhecimento?, disse.Marco Antonio Coelho Filho, diretor de jornalismo da Cultura, conta que o projeto possui uma dinâmica específica, onde todas as matérias e assuntos são definidos por um Conselho Editorial formado por executivos da Natura e profissionais da TV Cultura. Washington Novaes explica que, daí para frente, o trabalho é de total responsabilidade da equipe de jornalismo, sem interferências. O documentário, que consumiu 45 dias de viagens da equipe, trata de propostas para conservação da biodiversidade e uso sustentável. O tema central é o conceito de corredores ecológicos, mostrando os corredores Central da Amazônia, Sul da Mata Atlântica (Bahia) e uma proposta para um corredor Chapada dos Guimarães-Pantanal (Mato Grosso). ?Somente o Corredor Central da Amazônia tem mil quilômetros de extensão e uma área de 250 mil km², englobando 38 áreas de conservação. A filosofia é conseguir criar novas reservas para ligar todas essas áreas, criando um espaço contínuo de preservação, que vai da divisa entre o Pará e o Amazonas até a fronteira com a Colômbia?, explica Novaes. Entre os locais mostrados no programa, estão os parques estaduais Mamirauá e Amanã que, juntos, somam 35 mil km², uma área maior do que a Bélgica, e o arquipélago das Anavilhanas, no rio Negro, que possui 400 ilhas. Em todos os locais visitados, são mostradas experiências de manejo sustentável, pesquisa e trabalho com as populações tradicionais.O documentário, que conta com direção musical de Egberto Gismonti e direção artística de Siron Franco, traz ainda a opinião de especialistas em biodiversidade, como a diretora do Jardim Botânico de Brasília, Anajúlia Heringer Salles, que cunhou a frase que dá título ao programa: ?Em matéria de biodiversidade, o primeiro mundo é aqui?.Investimento em pesquisa - Com cerca de 100 pesquisadores em sua equipe e recursos anuais da ordem de R$ 30 milhões na área, a Natura é a indústria de cosméticos que mais investe em pesquisa e desenvolvimento na América Latina. Conforme o vice-presidente de Comercialização, embora não tenha objetivos comerciais com o projeto, a empresa mantém pesquisadores acompanhando a realização das reportagens. ?A linha Ekos, produzida a partir de princípios ativos naturais da biodiversidade brasileira, é apenas o produto visível do nosso interesse na área?, diz Araújo. Segundo ele, a empresa quer garantir não só a sustentabilidade da matéria-prima utilizada, como das comunidades envolvidas na produção. Por isso, há um ano e meio começou a trabalhar na certificação de seus fornecedores de produtos florestais, para garantir que os insumos da flora brasileira sejam extraídos de acordo com padrões social e ambientalmente corretos.

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