Bina & Ehud exploram ritmos brasileiros em disco e show

Dupla formada por guitarrista brasileiro e tecladista americano lança CD com mix de samba e jazz

Lauro Lisboa Garcia, do Estadão

12 de julho de 2007 | 17h20

O guitarrista brasileiro Bina Coquet eo organista americano Ehud Asherie se conheceram no musicalbairro do Harlem, de Nova York, em 2003. Foi Ehud quem,curiosamente, "apresentou" a Bina o som de Walter Wanderley(1932-1986), organista pernambucano radicado nos Estados Unidos.Depois eles se tornaram mais íntimos dos estilos de João Donato,Jorge Ben e começaram a tocar juntos sem compromisso. Daí veio aidéia de fazer um disco, intitulado Samba de Gringo - NewYork/São Paulo Sessions (2005), inspirado naquela sonoridade deorgan jazz trio dos anos 60, como os de Wes Montgomery e JimmySmith, tocando samba. Com o lendário baterista Wilson das Neves e as cantorasCéu e Dona Inah como convidados, eles lançam agora Samba deGringo 2 (Urban Jungle Records), que avança mais para o lado dosamba e menos do jazz, mantendo o equilíbrio entre clássicos damúsica brasileira com composições próprias. A dupla faz show delançamento amanhã no Loveland e também toca sábado no TeatroMars (tel. 3105-8950) e encerra temporadas nos clubes Berlin(3392-4594), na terça-feira, e Geni (3129-9952), na quarta. Nosshows eles mesclam temas dos dois CDs e incluem outros que nãogravaram, como Assum Preto (Luiz Gonzaga) e Os Grilos(Marcos Valle). Diferentemente do primeiro álbum, gravado entre NovaYork e São Paulo, o segundo foi todo registrado aqui, no estúdioMosh, em apenas dois dias e "meio de improviso", segundo Bina.Alguns temas do repertório surgiram no decorrer das gravações. Osamba Capitão Bacardi (Tom Jobim) e o choro Assanhado (Jacobdo Bandolim), em ótimos e suingados arranjos, estavam entre ospré-selecionados. "Com o resultado positivo das críticas doprimeiro disco, a gravadora se empolgou e quis fazer outro, masnão estávamos esperando. Aí tivemos a idéia de chamar osconvidados, mas foi meio de improviso. Entramos no estúdio semmuita coisa preparada. A gente nunca tinha tocado com nenhum dosmúsicos que participaram no disco", conta o guitarrista. Alémdos citados, os outros convidados foram o baterista Celso deAlmeida e os percussionistas Memeu Cabral, Rubinho Lima eCarneiro Sândalo. Wilson das Neves, que toca em quatro das dez faixas, deuum molho diferente, "trouxe uma coisa mais clean". Bina diz que"queria mesmo chamar alguém do samba para ficar menos jazz aparte rítmica". Por isso também chamou Dona Inah. Ela acaboudividindo os vocais de A Flor e o Espinho (NelsonCavaquinho/Guilherme de Brito/Alcides Caminha) com Céu, embora aidéia fosse ter uma faixa para cada uma. Acontece que as duaschegaram ao estúdio no mesmo dia e na mesma hora, não dava paradeixar nenhuma esperando. "Improvisamos na hora, no quinto take saiu. Acabouficando um encontro bem espontâneo. E ainda tem o Wilson nabateria. Pena que não o gravei cantando também", diz Bina."Queríamos ter mais faixas cantadas no CD, mas ficou só essa. Eé curioso também porque Dona Inah ganhou prêmio de revelação em2005, gravou o primeiro disco com 65 anos. Sempre gostei de vera felicidade dela cantando. Céu é a revelação jovem e é daqui damesma gravadora." Ehud, que tinha apenas uma composição no primeiro CD,agora comparece com três, uma delas intitulada Forró no Harlem em que funde baião e blues. Ele já fez festa em sua casa, noHarlem, só tocando forró, daí o título da música. "Em Nova Yorkrola muito forró. É um caminho diferente, fora daquilo que agente está sabendo", diz Ehud, que volta para casa no dia 22. Adistância é a parte difícil para manter a dupla. "Em 2005 fiqueidois meses aqui, a gente gravou o primeiro disco e tocou muito.Este ano foi mais organizado, fizemos vários shows, mas édifícil porque a gente teve só um mês para tocar juntos. Entãotemos de aproveitar para fazer muita coisa. Gosto de São Paulo,quero morar um dia aqui, mas Nova York para mim é o centro detudo agora." Bina & Ehud. Loveland. Rua Pequetita, 205, tel. 11-3044-1613.Sexta-feira, 23 horas. R$ 10

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