Bilheteria não garante troféu

É Proibido Fumar, pouco visto, foi o maior vencedor do Grande Prêmio

Roberta Pennafort / RIO, O Estado de S.Paulo

10 de junho de 2010 | 00h00

Festa. A produtora Sara Silveira (D) com um dos prêmios ao lado da diretora Anna Muylaert (E)

 

    Visto por modestas 50 mil pessoas e já bastante premiado pelos festivais e mostras do Brasil, É Proibido Fumar, de Anna Muylaert, foi o maior vitorioso na cerimônia de gala realizada na terça-feira, no Teatro João Caetano, no Rio, e exibida ao vivo pelo Canal Brasil. Era a festa do 9.º Grande Prêmio do Cinema Brasileiro. O filme levou cinco troféus - melhor longa de ficção, direção, roteiro original, montagem e trilha sonora -, batendo concorrentes bem mais fortes na bilheteria, como Se Eu Fosse Você 2, Divã e A Mulher Invisível, que, juntos, tiveram mais de 10 milhões de espectadores.

Ao subir ao palco para receber seus prêmios, Anna Muylaert parecia não acreditar no que ouvira. "Eu realmente não esperava. Vim achando que meu filme estava apenas fazendo figuração", ela explicou, encerrada a festa.

Daniel Filho ficou com o troféu de melhor filme no voto popular, em votação pela internet, para Se Eu Fosse Você 2. Tempos de Paz, que ele também dirigiu, foi premiado por seu roteiro (adaptado) e figurino (de Marília Carneiro) Daniel teve de engolir as piadinhas da produtora do filme de Anna, Sara Silveira, que chegou ao palco dançando: "Eu não faço bilheteria que nem o Daniel, mas eu ganho prêmio, prêmio... Minha prateleira já está cheia!" Antes disso, quando tivera sua vez ao microfone, o diretor já fizera questão de mencionar que seu cinema é "popular" e o quanto se orgulha disso, em noite que também homenageou um astro que foi muito popular nas telas, Anselmo Duarte, morto há sete meses, aos 89 anos. Duarte foi representado por duas filhas e uma neta. Todas muito emocionadas, ouviram o bonito texto de Ignácio de Loyola Brandão, lido pela amiga Glória Menezes. "Lamento por quem não o conheceu", dizia o texto.

Sem patota. Tony Ramos ganhou como melhor ator, por seu impagável Cláudio/Helena na comédia de Daniel. Em seu discurso, lembrou que está com 46 anos de carreira. "Eu não faço parte do cotidiano da turma de cinema, mas também não faço parte de turma nenhuma. Sou um ator brasileiro, de teatro, TV e cinema." Lilia Cabral, outra que costuma ser premiada por suas personagens de novela, emocionou-se ao ganhar por Divã. "Acho que agora eu posso dizer que faço cinema!"

Alice Gonzaga, diretora da Cinédia, produtora fundada em 1930 por seu pai, Adhemar Gonzaga, também foi homenageada, por seu trabalho pela preservação de filmes brasileiros clássicos. Ausente, a atriz Drica Moraes, que está tratando de uma leucemia, foi bastante aplaudida pelos colegas na plateia. Ela havia sido indicada como coadjuvante em Os Normais 2.

O prêmio é realizado pela Academia Brasileira de Cinema, entidade criada em 2002. As escolhas são feitas por seus membros: cineastas, produtores e atores, como no Oscar.

VENCEDORES

Melhor filme: É Proibido Fumar

Melhor filme no voto popular (pela internet): Se Eu Fosse Você 2

Melhor filme estrangeiro (prêmio entregue ao distribuidor): Bastardos Inglórios

Melhor filme estrangeiro no voto popular: Avatar

Direção: Anna Muylaert

Ator: Tony Ramos (Se Eu Fosse Você 2)

Atriz: Lilia Cabral (Divã)

Ator coadjuvante: Chico Diaz (O Contador de Histórias)

Atriz coadjuvante: Denise Weinberg (Salve Geral)

Direção de fotografia: Ricardo Della Rosa (À Deriva)

Documentário: Simonal - Ninguém Sabe o Duro Que Dei

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