Bienal tem recorde de público

O último dia da 25ª BienalInternacional de São Paulo levou uma pequena multidão, hoje, aoParque do Ibirapuera, em São Paulo. Foi a bienal com o maiorpúblico já realizada, um recorde histórico, com uma estimativade freqüência de 650 mil pessoas em menos de três meses - atéentão, a mais visitada fora a 22.ª Bienal, de 1994, com 500 milpessoas no Ibirapuera. O número definitivo só seria divulgadoapós o fechamento da exposição.Hoje, a visitação iria até as 22 horas e, logo após,começaria a desmontagem da mostra, que reuniu 190 artistas de 70países desde 23 de março, quando abriu. O movimento nas catracasaté o começo da tarde, mantinha-se um pouco acima dosregistrado em dias normais da semana, segundo funcionários dabienal. De acordo com a Assessoria de Imprensa da mostra, amédia de visitação foi de cerca de 8 mil pessoas por dia.Realizada a um custo de R$ 15 milhões, a mostra teve otema Iconografias Metropolitanas e, pela primeira vez, umcurador estrangeiro, o alemão Alfons Hug, que causou polêmicacom algumas de suas atitudes. Ele confiscou pessoalmente, naabertura da mostra, as bolas de futebol da instalaçãoTranstravessamento, de Ricardo Basbaum, alegando que o públicofazia muito barulho com seus chutes. O material esportivo nãoreapareceu nem para o encerramento da mostra."Demorei, mas é um evento que não podia ter perdido.Tem de ser visto", disse, hoje, a bela bailarina gaúcha CláudiaChrist, ajoelhada para melhor observar os relevos da instalaçãodo artista uruguaio Marco Maggi. Ela e o namorado, o baianoSérgio Rocha, são da Companhia Repentistas do Corpo e estão emturnê com o espetáculo Cordel Encorpado, daí a falta de tempoalegada para a visita de última hora.MinistroEntre os milhares de visitantes do derradeirodia de bienal, estava um ministro de Estado estrangeiro. Oitaliano Adolfo Urso, ministro do Comércio Exterior da Itália,veio a São Paulo para encontros com industriais na Federação dasIndústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). "Eu tinha um momentolivre essa manhã e resolvi aproveitar para ver a mostra", disseUrso. "Gostei mais do artista japonês dos relógios, pelo modomoderno como propõe a discussão sobre o tempo." O japonês eraKimio Tsuchiya, que expôs a instalação Antes do Dilúvio, umacâmara escura cheia de relógios em funcionamento, onde entra umapessoa por vez, cercada de detritos de construção civil. Gian e Clarissa Zelada aproveitaram o domingo para levaros dois filhos para ver a mostra. O mais velho, Giuliano, de 2meses e meio, percorreu a bienal montando cavalinho no pai. Omenor, Lorenzo, de 8 meses, dormiu boa parte do tempo nocarrinho. "Antes tarde do que nunca", disse Gian. "A correriado dia-a-dia às vezes deixa a gente com pouco tempo livre",afirmou ele, postado à frente da cidadela de papelão dosartistas moscovitas da exposição. Entre as obras preferidas do público, estavam os conesdo brasileiro Eduardo Frota, os contêineres do russo AlexanderBrodsky e a instalação O Princípio do Fim da japonesa MarikoMori, um anel de alumínio, suspenso no ar com imagens demetrópoles no lado interno.OusadiaO presidente da Fundação Bienal, o arquitetoCarlos Bratke, considera que o público recorde da mostra foi umavitória da ousadia. Essa foi a primeira bienal realizada sem aschamadas salas históricas, que traziam obras de artistas dasvanguardas e de consagração consumada, como Van Gogh, Picasso,Monet, Salvador Dalí, entre outros. Mesmo sem nomes como esses, a mostra despertou maisinteresse do que a 24.ª Bienal, que teve 387.732 visitantesentre os meses de outubro e dezembro de 1998. A primeira Bienal de São Paulo, realizada em 1951,recebeu 730 artistas de 22 países e teve um público de 100 milpessoas. O incremento de visitantes de lá para cá deve-se,obviamente, ao crescimento da população, mas tem grande relaçãotambém com a política crescente de megaexposições em São Paulo,além do surgimento de novos espaços expositivos, como a Oca doIbirapuera.

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