Bienal também ocupará o parque

Entre as novidades da 29.ª Bienal Internacional de São Paulo, que será aberta ao público no dia 25, estão os chamados terreiros, espaços de convívio que serão usados para atividades como performances, leituras e projeções. Dos seis terreiros criados por artistas e arquitetos convidados, um deles será colocado no lado externo do Pavilhão Ciccillo Matarazzo, no Parque do Ibirapuera. Assinado pelo arquiteto Roberto Loeb e pelo artista plástico e grafiteiro Kboco, o espaço Dito, Não Dito, Interdito tem como tema a linguagem e será dedicado a debates e conversas.

Marina Vaz, O Estado de S.Paulo

14 de setembro de 2010 | 00h00

"Dentro da nossa concepção, ele é um espaço de encontro, que será ativado pelos visitantes, no caso o próprio público do parque", explica Agnaldo Farias, curador-chefe da 29ª Bienal, ao lado de Moacir dos Anjos. "Nele ocorrerão algumas apresentações, ele funcionará como uma espécie de tribuna livre", afirma.

Ainda no entorno do Pavilhão da Bienal, 70 bandeiras de diferentes países serão hasteadas em mastros. Não se trata de uma forma de reforçar o caráter internacional do evento e, sim, da obra Apolítico, do cubano Wilfredo Prieto. O estranhamento aparece ao se perceber que todas as flâmulas têm apenas duas cores - preto e branco -, o que anula parte importante dos elementos visuais que ajudam em sua identificação. A obra é composta originalmente por mais de 300 bandeiras, de todas as partes do mundo, mas o número apresentado varia de acordo com o espaço disponível em cada local onde é mostrada. A que nunca fica de fora é a bandeira do país anfitrião. "Acredito que essa obra sempre transmite uma conotação diferente de acordo com o espaço onde é exibida; existe uma relação particular em cada local, tanto do ponto de vista formal quanto do simbólico", observa Prieto.

Desde que foi criada, em 2001, Apolítico já foi apresentada em dez diferentes lugares ao redor do mundo. Entre eles está o Museu do Louvre, em Paris (2006), e o MoMA, em Nova York (2008). "É uma obra muito simples, que tenta mostrar uma neutralidade, uma irmandade dos adversários; é um culto às situações do nosso tempo", completa o artista.

No espaço da Marquise projetada por Oscar Niemeyer, a escocesa Susan Phillipsz vai exibir uma de suas instalações sonoras em que usa a própria voz. "Eu gravei três versões de uma canção e vou tocá-las a partir de três alto-falantes separados, que estarão a cerca de cem metros de distância da Marquise", conta. "O trabalho é organizado em um "círculo", no qual uma voz segue a outra, em uma polifonia de sons." A canção escolhida foi a singela Hey Ho! To the Greenwood, escrita no início do século 17 pelo compositor inglês Thomas Ravenscroft.

Com apenas seis versos, a letra faz "convite" a escapar para a floresta e encontrar os animais da mata. "Quis fazer algo que refletisse a vida e a energia da Marquise, embora haja um lado mais sombrio do trabalho, no qual a "floresta" pode ser vista como metáfora para a solidão, o exílio e o banimento", ressalta.

Para completar a lista de obras externas, a 29.ª Bienal terá ainda a escultura Fogueira de Gelo, do pernambucano Paulo Bruscky, que será exibida no dia 25/9, a partir das 11h. Com 3 m de altura, a peça é formada por barras de gelo entrelaçadas que derretem ao longo das horas até desaparecerem totalmente. / M.V.

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