Robin Holland/Divulgação
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Bienal dos latinos

Anunciado curador da 30.ª edição da mostra brasileira de arte, em 2012, o venezuelano Luis Pérez-Oramas detalha seu projeto

Camila Molina,

15 de fevereiro de 2011 | 06h00

O Retorno das Poéticas é o título do projeto do venezuelano Luis Pérez-Oramas para a 30.ª Bienal de São Paulo, que ocorrerá em 2012. Definido pela instituição como o curador-geral da próxima edição da mostra, Oramas sai a partir de abril de licença temporária do MoMA (Museu de Arte Moderna de Nova York), onde é curador de arte latino-americana, para se dedicar ao desenvolvimento da exposição brasileira. "Discute-se muito sobre o esgotamento do modelo Bienal, mas acho que com a de São Paulo é o contrário, porque ela tem uma história própria e um vínculo orgânico com a cidade", diz Oramas ao Estado, em entrevista por telefone.

 

Potencializar, como afirma o venezuelano, a relação entre o local e o internacional, com força na arte latino-americana, que vive seu "momento de ouro", vai ser o desafio de seu projeto para a 30.ª Bienal de São Paulo, programada para ser inaugurada em setembro do próximo ano no Pavilhão Ciccillo Matarazzo, no Parque do Ibirapuera. "Todas as ideias globais começam sendo ideias locais", continua Oramas. "A 30.ª Bienal será de revelação de artistas da América Latina que não foram suficientemente reconhecidos, sejam os de metade de carreira ou jovens", diz.

 

Colocar um estrangeiro com o estofo de Luis Pérez-Oramas à frente da próxima edição do evento vai ao encontro da política de internacionalização engendrada pela atual direção da Fundação Bienal de São Paulo. Mais ainda, não é de agora a relação do curador, que vive em Nova York, com o Brasil. Nascido em Caracas, em 1960, em 1998, ele fez a curadoria de mostra do pintor venezuelano Armando Reverón (1889-1954) na 24.ª Bienal de São Paulo; em 2007, foi cocurador da 6.ª Bienal do Mercosul, em Porto Alegre; e recentemente foi o responsável pela exposição O Alfabeto Enfurecido, com obras da suíço-brasileira Mira Schendel e do argentino León Ferrari e que entre 2009 e 2010 foi exibida no MoMA, no Museu Reina Sofia (Madri) e na Fundação Iberê Camargo. Ainda, o trabalho de Oramas - que também já foi curador da Coleção Patricia Phelps de Cisneros - no museu de Nova York tornou-se fundamental para a entrada de obras de artistas brasileiros para o acervo da instituição norte-americana, uma das mais importantes do mundo.

 

Campos. Desde outubro a Fundação Bienal de São Paulo veio realizando o processo de seleção do curador-geral da 30.ª mostra, iniciado com a sugestão de um primeiro time de 20 candidatos. Ao chegar ao filtro de 3 nomes, a instituição pediu, em novembro, que fizessem projetos para avaliação. O de Luis Pérez-Oramas, escolhido pela diretoria da Bienal, já tem seu orçamento em torno de R$ 25 milhões, como afirma o presidente da Fundação Bienal de São Paulo, Heitor Martins. Também estão previstas itinerâncias da 30.ª mostra em 2013. Oramas ainda indicará a representação brasileira na 55.ª Bienal de Veneza.

 

Definindo ainda O Retorno das Poéticas, o curador, que escolheu como cocuradores o alemão Tobi Maier e o artista gaúcho André Severo, cita que a próxima edição vai ser uma exposição balanceada entre "o excesso e o escasso" - no ano passado, a 29.ª Bienal exibiu 850 obras de 159 artistas - e com número considerável de obras criadas especialmente para o evento. "Uma Bienal de articulações e não de individualidades", completa Oramas. Sua meta é anunciar a lista de artistas até setembro deste ano.

O curador indica quatro "zonas" importantes de seu projeto, como a questão da memória; o tema de "como as poéticas alternam formas conhecidas"; as derivas na arte contemporânea; e as "vozes" - das obras e do público de arte.

 

Nesse sentido, a 30.ª Bienal não vai se restringir à mostra no prédio da instituição, mas contemplar o que o curador chama de "campos expandidos", ou seja, atividades que envolvam internet, rádio, comunidades locais, museus e instituições e o projeto educativo, que mais uma vez será coordenado pela artista e educadora Stela Barbieri.

 

Números

25 milhões de reais é o orçamento prévio da 30ª Bienal de São Paulo, programada para ser inaugurada em setembro de 2012

 

700 mil reais é o montante usado para a representação nacional brasileira este ano na 54ª Bienal de Veneza, que terá uma instalação de Artur Barrio, artista português radicado no Brasil

 

12 a 15 itinerâncias da 30ª Bienal pelo Brasil, em 2013, já integram o projeto selecionado

 

 

ELE E O BRASIL...

 

No mesmo pavilhão

Em 1998, Oramas realizou a curadoria de mostra do pintor venezuelano Armando Reverón(1889-1954) para o núcleo histórico da 24ª Bienal de São Paulo, considerada um marco.

 

 

Alfabeto Enfurecido

Luis Pérez-Oramas foi também responsável pela mostra com obras da artista suíço-brasileira Mira Schendel (1919-1988) e do argentino León Ferrari, nascido em 1920.

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