Bienal do Rio cresce para melhor receber o público

Com programação mais diversificada e 300 escritores evento ganha atrações, como o Botequim Filosófico

Roberta Pennafort,

13 de setembro de 2007 | 15h17

Mais de 300 autores, 21 deles estrangeiros que assinam best-sellers planetários, mil e tantos lançamentos, 950 expositores, 55 mil m2, 133 sessões literárias, expectativa de 600 mil visitantes. Tudo tem dimensões gigantescas na Bienal Internacional do Livro carioca, que começa hoje, no Riocentro, e vai até o dia 23. Em sua 13ª edição, a feira, que bate seu recorde de escritores participantes (em 2005 foram em torno de 200), tem novos espaços, para maior participação do público. Quem já disputou assento nos bate-papos com escritores e debates de temas caros à literatura poderá agora discorrer sobre filosofia (no Botequim Filosófico, com curadoria da escritora Guiomar de Grammont) e emitir opiniões sobre questões da ordem do dia (na Esquina do Leitor). No Botequim, gente das letras, das artes e do jornalismo discutirá assuntos como a (suposta) morte da arte, o fim do mundo e o lugar do amor nesse mundo.Já na Esquina, todos terão chance de exprimir o que pensam sobre temas controversos: aborto, Deus, drogas. ''''Partimos do pressuposto que opinião se discute, sim'''', explica Rosa Maria Araújo, responsável pela programação cultural da bienal desde 1999. A votação é eletrônica, uma idéia tirada de uma livraria londrina.E as estrelas da bienal? Há para leitores de todos os gostos. Do fenômeno Markus Zusak, australiano que escreveu A Menina Que Roubava Livros e conquistou público de todo o mundo (mais de 150 mil volumes no País), ao americano Andrew Carroll, de Cartas do Front, que reúne relatos dramáticos de guerras diversas.Uma presença que deve atrair todas as atenções: o afegão Shah Muhammad Rais, o Sultan Khan de O Livreiro de Cabul, que vem desmentir cada palavra que a norueguesa Asne Seierstad digitou sobre ele e sua família - e, claro, divulgar seu livro Eu Sou o Livreiro de Cabul (será às 18 h).Sobre o Afeganistão, também falará Yasmina Khadra, argelino autor de As Andorinhas de Cabul. Ele lançará seu novo romance, As Sirenes de Bagdá, e a cabeleireira norte-americana Deborah Rodriguez, que apresenta O Salão de Beleza de Cabul. Dos EUA chega Daniel Alarcón, de origem peruana e autor de Rádio Cidade Perdida, sobre amor e violência na América do Sul; da Colômbia, o jornalista Daniel Samper Pizano, de Impávido Colosso, ambientado no Brasil da ditadura militar. Alarcón fala da violência na literatura (dia 22, 19 h); Pizano participará do debate América Latina: Combates e Conquistas (hoje, 19h30): a bienal deste ano de Jogos Pan-Americanos homenageia a América.Ariano Suassuna (que deverá dar aula-espetáculo) e Gabriel García Márquez (ausência a ser muito sentida), octagenários este ano e em 2008, respectivamente, também receberão tributo.Entre os 280 literatos brasileiros que transitarão pelo Riocentro, estão presenças constantes (e esperadas), como Luis Fernando Verissimo, Zuenir Ventura e João Ubaldo Ribeiro; jovens promessas, como Mayra Dias Gomes (filha de Dias Gomes) e Daniel Galera (gaúcho da editora Livros do Mal). A feira não deixa de lado a poesia: 40 poetas marcarão presença no Jirau de Poesia.Rosa Maria Araújo acredita que a interação autor-leitor seja um dos motivos para que o público da bienal se amplie. ''''Aumentamos o número de autores, que era de apenas 60 em 99 e agora são 300, porque as sessões lotam mesmo. As pessoas querem ver os autores, que são quase popstars. O adolescente quer mais, quer dar um beijo'''', conta.Por falar no público teen, haverá mais uma vez um espaço só para temas da juventude. Point da bienal, a Arena Jovem, organizada pela escritora Suzana Vargas, reunirá figuras como o cantor Tico Santa Cruz e a atriz Pérola Faria para debater questões como maioridade penal e distúrbios alimentares. ''''O jovem brasileiro lê pouco. Se tentássemos chamá-lo apenas com o livro, talvez não fosse uma grande atração'''', justifica Suzana. ''''Percebemos que muitos anotam os nomes dos livros para depois comprar.''''Os números mostram que a estratégia vem dando certo. Em 2005, foi registrado aumento no número de pessoas entre 15 e 24 anos, que passaram a responder a quase metade do público total (45%). Cerca de 170 mil alunos de escolas deverão passear entre os livros. A bienal é realizada pelo Sindicato Nacional dos Editores de Livro e pela Fagga Eventos.NÚMEROS950 expositores estarão na Bienal320 autores participam da feira, entre nacionais e estrangeiros100 sessões literárias estão confirmadas var keywords = "";COMENTÁRIOS

Tudo o que sabemos sobre:
Bienal

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.