Bienal do Livro, entre o lazer e os negócios

Feira de livros ou lugar denegócios? Incapaz de responder a essa questão de formadefinitiva, a Bienal do Livro chega a sua 17.ª ediçãoequilibrando-se entre essas duas tendências que pautam suaexistência desde o início. Para o público em geral, o evento,apesar de cansativo, é uma oportunidade de reciclagem e umachance de entrar em contato com o universo mágico dos livros.Mas, para livreiros, editores, distribuidores e outrosprofissionais da área, a Bienal não é apenas isso. É um localrepleto de potenciais negócios, uma vitrine imperdível, comocomprova a presença de 830 expositores este ano. Até asgravadoras perceberam o efeito benéfico de um evento desses. A venda direta ao público não é um objetivo em si, masuma conseqüência - boa, é claro - de estar presente nesse póloque congrega todo o setor num mesmo local durante 11 dias. Amaioria dos editores considera que, se as vendas cobrirem oinvestimento - de cerca de R$ 30 mil no total, para um estandemédio como o da Editora Atlas - realizado para participar daBienal, já está muito bom. Ânimo - Aberta na quinta-feira pela manhã, a mostra já atraiumilhares de pessoas em dois dias. E os expositores estãoanimados, principalmente graças à mudança de endereço do evento,que deixa o confuso Center Norte (onde se dividia em trêspavilhões diferentes) por um espaço único e mais amplo de 25 milmetros quadrados. Excetuando-se o tapete de um verde gritante,que contribui para aumentar a fadiga visual, o espaço éagradável, receptivo e permite que o espectador se oriente umpouco melhor. Algo vital, já que percorrer os 25 mil metros quadradospode ser uma tarefa por demais cansativa. Mesmo os profissionaisda área se queixam do excesso de informação depois de algumtempo olhando as prateleiras e vitrines. "A visibilidade estáboa e o evento está mais confortável", afirma o livreiro PedroHerz, proprietário da Livraria Cultura. Mesmo afirmando queeventos desse tipo não têm uma importância direta sobre seutrabalho na Cultura, Herz celebra o fato de ainda conseguirencontrar novidades em meio ao labirinto de estandes e, paracomprovar sua tese, mostra dois livros de um pequeno selo,Degustar, que acaba de descobrir: Paris Sexy e Manual dosAnfitriões, um guia de boas maneiras escrito no século 19 porGrimod de la Reynière.

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