Bienal de Veneza e uma nova ideia de liberdade

Rem Koolhaas ganha o Leão de Ouro da 12ª edição, que começa no domingo

Camila Molina, O Estado de S.Paulo

27 de agosto de 2010 | 00h00

Encontro. O americano Frank Gehry participa da exposição que une arquitetura e arte                

 

 

 

 

 

 

 

A abertura para o público será no domingo, mas desde ontem começaram as inaugurações para convidados da 12.ª Bienal Internacional de Arquitetura de Veneza, que ocupa os espaços dos Giardini e do Arsenale da cidade italiana. Com curadoria geral da japonesa Kazuyo Sejima (primeira arquiteta a organizar uma edição da tradicional mostra e sócia, ao lado de Ryue Nishizawa, do escritório Sanaa - e eles foram premiados este ano com o Pritzker, o Nobel do segmento), a 12.ª Biennale tem como título People Meet in Architecture (Pessoas se Encontram por meio da Arquitetura).

"A sensação difundida é a de viver numa sociedade pós-ideológica", afirmou Kazuyo Sejima em texto de apresentação da mostra, no qual ainda identifica que a arquitetura tem um papel importante para abrir novos horizontes num mundo globalizado e no qual "tudo está transformado, não somente as condições materiais como os modos de concepção". Por meio da pluralidade das visões, enfim, ela diz, exprime-se, plenamente, uma "nova ideia de liberdade que caracteriza o viver contemporâneo".

A Bienal de Arquitetura 2010, que poderá ser visitada até 21 de novembro, reúne 48 participantes selecionados pela arquiteta japonesa e mais 53 representações nacionais nos pavilhões dos Giardini - pela primeira vez Albânia, Bahrain (pequeno Estado do Golfo Pérsico), Irã, Malásia, Marrocos e Ruanda participam do evento. A mostra do pavilhão brasileiro, 50 Anos Depois de Brasília, com curadoria do arquiteto e designer gráfico Ricardo Ohtake, diretor do Instituto Tomie Ohtake, tem inauguração hoje para convidados.

Além disso, a 12.ª Bienal de Veneza concedeu ao holandês Rem Koolhaas o Leão de Ouro pelo conjunto de sua obra. "Ele ampliou as possibilidades da arquitetura; cria edifícios que estimulam a interação entre as pessoas; inspira profissionais dos mais variados campos disciplinares ao trazer grande liberdade em seu trabalho", disse Kazuyo Sejima - Koolhaas venceu em 2000 o Pritzker e vai receber o Leão de Ouro amanhã.

Leveza. Os princípios naturais e simbólicos da obra arquitetônica de Kazuyo Sejima em construções de destaque na Europa, América e Ásia - em que prevalecem ideias de leveza e transparência com usos de vidros e planos abertos - norteiam sua curadoria desta 12.ª Bienal de Veneza. "É uma arquitetura em que a materialidade vai quase desaparecendo", diz Ricardo Ohtake. Kazuyo Sejima e seu parceiro Ryue Nishizawa receberam o Leão de Ouro na Bienal de Veneza de 2004 e comparecem na exposição com obras como seu último projeto, o Instituto Federal de Tecnologia em Ecublens, perto de Lausanne, na Suíça, apresentado em filme 3D.

Já entre outros participantes da Bienal, a arquiteta ítalo-brasileira Lina Bo Bardi (1914-1992) tem sala no pavilhão Itália, nos Giardini, em que está representada pela obra do Sesc Pompeia de São Paulo. Ainda, nomes de destaque como o arquiteto italiano Renzo Piano, o americano Frank Gehry e os japoneses do Atelier Bow-Wow estão na exposição que não faz fronteira entre arquitetura e arte ao agregar ainda artistas de destaque no cenário contemporâneo como o dinamarquês Olafur Eliasson, o britânico Cerith Wyn Evans e até o cineasta alemão Wim Wenders.

Primeira curadora

À frente da mostra, Kazuyo Sejima é sócia do premiado escritório Sanaa, criado em 1995 em Tóquio e responsável por obras como o Museu de Arte Contemporânea do Século 21, em Kanazawa (2004).

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