Bienal de Veneza discutirá favelas

O Brasil vai à 8.ª Mostra Internacional de Arquitetura da Bienal de Veneza, em setembro, com uma representação da experiência mais marcante da cena urbana do País: as favelas. Num dos três módulos da sua representação, o Brasil mostrará 24 projetos de 12 arquitetos e escritórios brasileiros que apresentam propostas para o sistema de "improvisação eterna" das favelas brasileiras. Um dos destaques é a área de Nova Alagados, em Salvador. O Brasil vai a Veneza com o tema Next Cities: Cities without Slums ("Próximas cidades: cidades sem cortiços"), sob curadoria de Glória Bayeux e Elisabeth França. A mostra de arquitetura, uma das mais importantes do mundo, vai de 7 de setembro a 3 de novembro. Os outros dois módulos da mostra brasileira incluem uma seleção de projetos e instalações. O primeiro deles traz uma surpresa: pela primeira vez, um estrangeiro incorpora-se à representação brasileira. Trata-se da instalação Brazilisme, do camaronês Pascale Martine Tayou, um dos destaques da 25.ª Bienal de São Paulo, encerrada no dia 2. O convite a Tayou pode causar polêmica, já que as representações nacionais vão a Veneza sob a chancela do Itamaraty. O camaronês foi o primeiro a dar um sentido artístico à arte do alagoano Ivanildo Antônio da Silva, de 27 anos, que vende casinhas de cães, feitas de engradados reciclados de hortifrutigranjeiros da Ceagesp, na Marginal do Pinheiros. Na Bienal, Tayou expôs 36 casinhas de cachorro e quatro de bonecas e desenhou fios na parede da sua sala, simulando uma rede elétrica caótica, típica da periferia de São Paulo. Ivanildo Silva é uma das 50 pessoas que moram embaixo do viaduto da Ceagesp e comercializam casinhas - elas custam entre R$ 5,00 e R$ 300,00. No segundo segmento da mostra do Brasil em Veneza haverá ensaios fotográficos de dois brasileiros: André Cypriano (que apresenta na Pinacoteca de São Paulo uma mostra sobre a Favela da Rocinha, no Rio) e Lalo de Almeida. A intenção, segundo a Assessoria da Bienal, é mostrar abrigos improvisados, "proteções" criadas sob viadutos, cortiços, construções precárias sobre palafitas e favelas de alto risco. A representação do Brasil na Bienal de Veneza de arquitetura foi decidida pelo presidente da Fundação Bienal, o arquiteto Carlos Bratke, pelos vice-comissários Ricardo Ohtake e Pedro Cury e pelo curador-chefe da 25.ª Bienal, o alemão Alfons Hug. Na edição de 2000 da mostra italiana, o Brasil foi representado por João Filgueiras Lima, o Lelé, e Paulo Mendes da Rocha, e o tema era Arquitetura, Cidade e Território. Agora, a representação é maior e ocupa espaços externos do Pavilhão do Brasil (um dos poucos países que têm espaço exclusivo no evento), uma construção de 240 metros quadrados situada na histórica sede dos Jardins do Castelo, na margem oriental de Veneza. Aquela edição teve a curadoria de Massimiliano Fuksas. O novo curador-chefe da mostra 2002 é Deyan Sudjic. Sob o tema geral Next, Sudjic pretende explorar na exposição novas técnicas construtivas, novos materiais e soluções. Experimentações como a do arquiteto japonês Toyo Ito, que trabalha com alumínio, aos materiais de revestimento do escritório Herzog e de Meuron, que parte do desenho digital. No grande espaço da Arsenale (Corderie e Artiglerie), serão expostos 110 projetos, divididos em dez seções. Museus, espaços de trabalho, quarteirões e casas, edifícios públicos e religiosos, transportes, tempo livre, área de comércio, espaços de ensino, planos urbanísticos: diversos tipos de temas arquitetônicos serão abordados. Numa das seções principais, por exemplo, serão expostos o projeto do arquiteto italiano Renzo Piano para a sede do The New York Times; a forma cônica da Swiss Re Tower de sir Norman Foster em Londres; e a Torre Agbar, projetada por Jean Nouvel em Barcelona.

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