Bienal de Veneza apresenta sua arte do presente

Começa nesta quinta-feira, para convidados, com o tema genérico Pense com os Sentidos, Sinta com a Mente, a 52.ª edição da mostra mais tradicional do mundo

Agencia Estado

12 Junho 2007 | 04h02

Pense com os Sentidos, Sinta com a Mente. Sob esse tema genérico, com o subtítulo A Arte do Presente, a 52.ª Bienal Internacional de Arte de Veneza, a mostra mais tradicional do mundo, começa nesta quinta-feira, 7, a ser inaugurada - até sábado para os convidados e no domingo para o grande público (nesse dia, pela manhã, ocorrerá a cerimônia de entrega do Leão de Ouro para o fotógrafo africano Malick Sidibé). "Acho muito conveniente falar do presente, tão vertiginoso no âmbito cultural", diz o artista carioca Waltercio Caldas, que participa da exposição como um dos artistas convidados pelo curador-geral da 52.ª Bienal de Veneza, o americano Robert Storr. "Ele quis enfatizar uma arte feita para um momento essencial, não a feita para o futuro nem para o passado. É uma curadoria que me interessa porque faço uma diferença entre arte e cultura: arte produz um tempo, a cultura sofre o tempo", continua o artista, um dos principais nomes da arte contemporânea brasileira. A 52.ª Bienal de Veneza conserva seu modelo tradicional: é formada por uma mostra central, com curadoria de Robert Storr, que ocupa o Pavilhão Itália e o Arsenale, e pelas representações nacionais nos Giardini - 77 países fizeram suas próprias escolhas de representantes, inclusive o Brasil, pela Fundação Bienal de São Paulo. No Pavilhão Brasil estarão as obras do carioca José Damasceno e da dupla de gaúchos que vive em Paris Angela Detanico e Rafael Lain, selecionados por Jacopo Crivelli Visconti, da Fundação Bienal de São Paulo, instituição que desde 1983 faz a curadoria da representação brasileira em Veneza. Ainda dentro do projeto curatorial de Storr estão a inclusão do Pavilhão Turquia e a realização da mostra sobre arte contemporânea africana Check List Luanda Pop, com obras da Coleção Sindika Dokolo, de Luanda, Angola, selecionadas por curadores convidados. Robert Storr, que entre 1990 e 2002 foi responsável pelo departamento de pinturas e esculturas do Museu de Arte Moderna de Nova York (MoMA), é o primeiro americano a assinar a curadoria da Bienal de Veneza, que na sua edição anterior, teve pela primeira vez, também, uma novidade: uma curadoria assinada por duas mulheres, as espanholas Maria de Corral e Rosa Martinez. Há mais de 15 dias Waltercio Caldas chegou à cidade italiana para preparar a obra Half Mirror Sharp (Meio Espelho Sustenido), seu trabalho inédito para a 52.ª Bienal de Veneza, instalado no Pavilhão Itália. O "ambiente" - e não instalação - de Waltercio é formado por cinco esculturas "relacionadas como uma seqüência de partitura musical", como diz o artista. Segundo Waltercio, os intervalos entre os elementos da obra - feitos com vidros, aço inox, fios de lã, pedras e adesivos, nas cores vermelho, abóbora, bege, preto, verde e azul -, suas distâncias que, na verdade, se transformam em "intervalos óticos" nessa "música para os olhos", também são considerados materiais. O trabalho se faz da relação entre todos - como numa composição musical de notas e intervalos para o espectador "sentir-se envolvido". Para Waltercio Caldas, que participou também da 47.ª Bienal de Veneza, em 1997, "a principal função do artista é melhorar a qualidade do desconhecido", o que está implícito no tema desta edição da mostra: unir o pensamento e o sentimento ("não a sentimentalidade"). Para o paulista Iran do Espírito Santo, também entre os artistas convidados de Storr para o evento, mesmo "com todos os problemas da instituição e com a crise das bienais, a Bienal de Veneza é certamente a que tem maior público e que provoca mais debate", isso possibilitado pela extensa duração da mostra, que vai até 21 de novembro. Iran exibe em uma sala do Pavilhão Itália um desenho e uma pintura de grandes dimensões, feitas sobre as paredes, e quatro esculturas de granito, que "representam sucessivamente uma cerca de alambrado, um muro e vidros quebrados". "A relação do meu trabalho com a idéia da mostra creio ser bastante clara. Apesar de meu trabalho ter uma verve bastante racional, a origem dele sempre se dá de maneira intuitiva e sensível", afirma o artista. "Outra questão é a de que esta bienal é bastante ‘visual’, o que retoma, a meu ver, a razão de ser da arte." Homenagem "Com um punhado de exceções, todos os artistas incluídos estão vivos e ativos. Diferentes em origem e em pontos de vista temporais, são eles que conjugam o presente da arte um para o outro - e para nós", escreve Robert Storr em texto de apresentação. Mas o curador criou uma seção especial como homenagem a artistas que tiveram morte prematura e inesperada, embora tenham deixado uma obra viva na atualidade, e dentro desse sentido o brasileiro Leonilson (1957-1993) foi selecionado para ser representado ao lado do cubano-americano Felix Gonzalez-Torres, do alemão Martin Kippenberger e do francês Philipe Thomas. "A nossa escolha ficou com trabalhos que, de alguma forma, aludiam ao auto-retrato. O curador acabou por optar por quatro obras em que o texto e a figura estão evidentes", conta Ricardo Resende, que faz parte do Projeto Leonilson, com sede em São Paulo. Ao mesmo tempo, na mesma 52.ª Bienal de Veneza em que participam nomes de destaque do cenário mundial, como Louise Bourgeois, Daniel Buren, León Ferrari, Jenny Holzer, Ilya e Emilia Kabakov, Sol LeWitt (1928-2007), Bruce Nauman, Sigmar Polke e Gerhard Richter, ainda conta com os brasileiros Elaine Tedesco, Paula Trope e os meninos do Grupo do Morrinho, do Rio.

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