Bienal de São Paulo cobre obra de argentino que retrata Dilma e Serra

Justiça eleitoral considerou que trabalho não pode ficar exposto por causa das eleições

Efe,

22 de setembro de 2010 | 22h56

Obra ficará coberta até o final da mostra, em 12 de dezembro

 

SÃO PAULO- A 29ª Bienal de São Paulo cobriu nesta quarta-feira, 22, com um pano a obra "El alma nunca piensa sin imagen" (A Alma Nunca Pensa Sem Imagem, na tradução), do artista argentino Roberto Jacoby, por uma recomendação do Tribunal Superior Eleitoral, que considerou que o trabalho não poderia ficar exposto por causa das eleições.

 

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O escritório de imprensa da bienal, que teve início ontem à noite e abrirá suas portas ao público no próximo sábado, disse à Agência Efe que a "organização decidiu cobrir a obra" após uma recomendação da Justiça eleitoral.

 

O trabalho traz um painel com imagens dos candidatos à Presidência Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB).

 

"Os curadores não conhecem a proposta do artista, por isso partiu da própria organização a consulta ao Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo para saber se sua exposição infringiria alguma lei", comentou o porta-voz da bienal.

 

A questão foi parar no Tribunal Superior Eleitoral, que emitiu hoje uma recomendação para retirar a obra da mostra, por considerar que ela faz política em um espaço público, o que é proibido pela lei.

 

Os organizadores da bienal, que reúne obras de 159 artistas de todo o mundo, manterão a obra coberta até o final da mostra, em 12 de dezembro.

 

Este ano o tema central da bienal é "Há Sempre Um Copo de Mar para o Homem Navegar".

 

Antes de abrir oficialmente suas portas, a Bienal de São Paulo enfrenta uma acalorada polêmica com a exposição da coleção "Inimigos", uma série de autoretratos em preto e branco do artista brasileiro Gil Vicente, nos quais o artista assassina diferentes personalidades nacionais e mundiais.

 

O escritório da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) em São Paulo pediu para que a obra fosse retirada da Bienal, por considerar que "não era o momento apropriado" para exibi-la.

 

As imagens do artista assassinando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, seu antecessor Fernando Henrique Cardoso e outros líderes e políticos nacionais e mundiais, entre eles o papa Bento XVI, provocaram diversas reações, mas a exposição foi mantida pela organização do evento.

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