Bienal: artista diz que proibição de sua obra é descabida

O artista mexicano Héctor Zamora, que teve vetada a obra "Geometrias Daninhas", que construía e pretendia mostrar na 27.ª Bienal de São Paulo (a ser aberta ao público no dia 7), rebateu na quarta-feira as alegações da Secretaria do Verde e do Meio Ambiente (SVMA), que proibiu seu trabalho.Para Zamora, o argumento de que sua idéia - soltar 50 ?ilhas? octagonais flutuantes de 40 metros quadrados de aguapés circundadas por tubos de PVC no Lago do Ibirapuera - poderia causar ?desequilíbrio ambiental? é descabida. A argumentação técnica do artista se baseia em ensaio de José Lutzenberger, "Em Defesa do Aguapé", publicado no livro "Ecologia - Do Jardim ao Poder" (L&PM Editores, 1985).?Purificando a água, o aguapé contribui para a sua reoxigenação. Ele faz gratuitamente este trabalho. É apenas lógico que alguns o considerem subversivo?, escreveu Lutzenberger, que acusava botânicos de serem ?tecnobu(r)rocratas? ao condenarem a planta.A idéia de Zamora era oposta à acusação que sofreu de Renier Marcos Rotermund, diretor da Divisão de Manejo e Conservação dos Parques Municipais, órgão da SVMA. ?O aguapé pode ser uma planta daninha quando não se compreende. É benéfica quando monitorada adequadamente, e ajuda a despoluir. A tese da Bienal é Como Viver Juntos. E eu propunha, para um público mais amplo, a idéia de Como Viver Junto com a Natureza?.Ele achou exagerada a atitude da SVMA. ?São apenas três meses de exposição, é algo efêmero?. E considerou incompreensível que tenham proibido a obra a apenas uma semana da exposição, quando ele apresentou o projeto todo há 8 meses (e já trabalha nele em São Paulo há dois meses). Zamora disse que viveu ?um dia muito triste? após saber do veto, anteontem, mas não teceu teses conspiracionistas. ?Creio que eles fizeram o trabalho deles. São instâncias públicas, um corpo burocrático. Mas talvez não tenham querido analisar um pouco mais o que tinham em mãos. A obra propõe abrir portas a todos, não fechá-las?.A Secretaria do Verde informou que o veto à obra de Zamora foi recomendado por botânicos do Instituto de Botânica e da Unesp de Rio Claro. Em 1985, José Lutzenberger escreveu: ?Já estou vendo os tecnocratas em campanha de erradiacação do aguapé, aplicando herbicidas, provavelmente 2,4-D, nos corpos d´água. Aliás, pelas informações que tenho, isto já foi várias vezes feito em represas de São Paulo. Sei dos desastres ecológicos causados pelo combate ao aguapé no Sudão. Os resultados são os piores possíveis. O aguapé morto acaba indo ao fundo. Ali agrava os problemas da poluição.?

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