Bienal 50 anos discute a metrópole

Trabalhar a questão da metrópole como cidade virtual em que as pessoas vivem, não se conhecem, mas interagem. Segundo Carlos Bratke, presidente da Fundação Bienal, essa é uma das propostas da mostra Bienal 50 anos - Uma Homenagem a Ciccillo Matarazzo, que tem início nesta quinta-feira, no 3.º andar do Pavilhão Bienal, no Parque do Ibirapuera, em São Paulo. A exposição, como delineia o título, marca os 50 anos de existência da Bienal de São Paulo, criada em 1951 pelo empresário Ciccillo Matarazzo. É também, para ele, um balão de ensaio para a Bienal de 2002, que tem curadoria do alemão Alfons Hug, e irá explorar as Iconografias Metropolitanas.Orçado em R$ 4 milhões, o evento subdivide-se em dois núcleos: um histórico e outro contemporâneo. A coerência impera. Em nenhum momento cogitou-se a possibilidade de enfocar apenas o passado do evento. "Existem muitos espaços para retrospectivas em São Paulo", afirma Bratke. "Quando o assunto é museus e seus acervos somos primeiro mundo. No entanto, a Bienal sempre teve um aspecto volátil, e nós queríamos manter isso."O passado está contemplado em uma retrospectiva de cerca de 50 obras premiadas nas edições anteriores da Bienal, entre elas Unidade Tripartida, do alemão Max Bill, vencedora da 1ª edição. As peças pertencem ao acervo do Museu de Arte Contemporânea (MAC). Neste núcleo há ainda um painel de 100 metros de comprimento projetado por Chico Homem de Melo. A instalação é composta por dois planos: um, traz a história das 24 bienais já realizadas e o outro, imagens e textos referentes ao contexto político e social das respectivas épocas.Rede de Tensão - O mundo contemporâneo ganha espaço na exposição Rede de Tensão, cujo tema central é a metrópole. O núcleo tem curadoria de Maria Alice Milliet e Daniela Bousso (artes visuais), Pedro Cury (arquitetura) e Marili Brandão (design). São 33 módulos, em sua maioria instalações, que exploram as múltiplas faces das grandes cidades. "Quando a Bienal surgiu, ela trazia essas três áreas, design, artes plásticas e arquitetura. Nossa idéia foi retomar isso, mas explorando-as de forma integrada", explica Cury. "Pedimos aos arquitetos, por exemplo, que mostrassem a sua visão dos conflitos da metrópole sem apresentar projetos de plantas, cortes e faixadas." A ousadia da proposta resultou em instalações pouco usuais, como Jardim dos Sentidos, dos arquitetos Tito Livio e Takashi Fukushima, que levaram para a exposição uma arquibancada de cultivo de alface hidropônica. "Não sabíamos o que ia acontecer e, ao menos para mim, está sendo uma surpresa agradável", prossegue Cury. As experiências na área de arquitetura que estão sendo feitas para a mostra comemorativa serão levadas para a 5ª edição da Bienal de Arquitetura de São Paulo, prevista para ser realizada em 2003. Na Rede de Tensão, a metrópole está representada, inclusive, na disposição aparentemente caótica das peças pelo galpão. "Tivemos muito trabalho para deixá-la assim. É um caos projetado", confirma o curador de arquitetura. Para a mostra de design, Marili Brandão selecionou sete peças, privilegiando o artístico ao funcional. "Queremos discutir os limites da arte e do desenho", explica. A instalação U é com certeza um dos destaques. Realizada pelo Grupo Caminho Suave, composto por Claudio Ferlauto, Claudio Rocha e Marcos Mello em parceria com os grafiteiros Os Gêmeos, Vitché, Herbert e Nina, o trabalho reproduz o universo dos becos da periferia. No entanto, apresenta um beco ideal, em que a arte impera sobre a barbárie. Entusiasmado com a expressividade da peça, Carlos Bratke revelou que pretende, até o final do ano, montar uma exposição enfocando a cultura de rua.

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