Bicho do Mato derruba preceitos evangélicos

Homem pelado na tela da Record? Eram só os glúteos, calma, um banho de rio básico. Mas eis que os princípios do marketing, ou o apelo à audiência, a essa altura da cobiça da rede de Edir Macedo pela vice-liderança no ibope, superam os princípios evangélicos. Vá lá: antes expor um físico bonitão como o de André Bankoff, o ator que dá nome à nova novela da casa, Bicho do Mato, a submeter a platéia das 19h30, com criança na cadeira cativa, àquela overdose de pólvora sustentada pelo folhetim anterior. É de bom tom que a gente se choque mais com violência do que com sexo, mas, maldita mania de imitar americano, a repercussão na mídia e no boca a boca sempre prioriza discurso contra libido em detrimento de tiroteios.Bicho do Mato imita sua antecessora, isso sim, no preceito da obviedade. Nada de deixar brecha para a reflexão do incauto telespectador. Do texto à edição final, passando pela interpretação, figurino e cenário, tudo vem mastigadinho. Só falta legenda.Quando Marcos Mion - e não deixa de ser divertido vê-lo contracenar com Beatriz Segall - começa a enumerar para a namorada o jeitão esquisito de seu primo, batata, você já sabe que a moça vai trocá-lo pelo outro. E, em menos de dez minutos, a mocinha Cecília (Renata Dominguez) está nos braços do primo. Perdidos na selva pantaneira, os dois já se abraçam. Ele a salva de uma onça, sem matar a bichinha - que o herói, no caso, prima pelo equilíbrio politicamente correto do ecossistema. Obrigados a dormir numa caverna, e sendo um perigo à saúde esse negócio de deixar a roupa secar no corpo, dá-lhe lingerie: ela tira a blusa. Ele, bem, ele mal sabe para que serve essa peça.Em termos de imagens, tudo remete a Pantanal, produção de 1990 da extinta TV Manchete. Mérito da antecessora, que deixou bom ibope ao horário, ou próprio, não se sabe, mas a audiência do capítulo inicial foi de 15 pontos em São Paulo, patamar que o SBT não alcança já há alguns anos com o gênero.

Agencia Estado,

20 de julho de 2006 | 10h40

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