Biblioteca no Rio é inaugurada com mostra sobre Vinicius de Moraes

Mostra passa pelo erudito e o popular, a obra para o teatro, a correspondência com os amigos e o pensamento do poeta

Roberta Pennafort, Rio - O Estado de S.Paulo

28 de março de 2014 | 16h21

Depois de quatro anos de obras, será inaugurada neste sábado, 29, a Biblioteca Parque Estadual, no centro, a maior e, agora, mais moderna biblioteca do Rio de Janeiro. Desde seu fechamento, em 2008, até aqui, foram variados os motivos do atraso nas obras: da necessidade de desapropriação de cinco terrenos nos fundos do prédio, para a construção de um anexo, à paralisação dos trabalhos com a descoberta de um sítio arqueológico, um cemitério de escravos datado do século 18.

Os investimentos na reconstrução do espaço, no novo mobiliário e nos programas educativos chegaram a R$ 71 milhões. Da antiga biblioteca, sombria e sem grande movimentação, só sobrou a carcaça. Dentro do prédio de três andares, na Avenida Presidente Vargas, atualmente com janelões de vidro, tudo é amplo, colorido, acessível e instigante.

Nas paredes, frases de autores como Clarice Lispector e João Cabral de Melo Neto convidam a novas descobertas. Oficinas gratuitas de escrita criativa e narrativas cênicas, encontros com escritores e apresentações de teatro e de música estão na programação. A seção em braile é referência.

“Ela era muito pouco utilizada. O subsolo era inundado (pelas águas do lençol freático), não tinha bibliotecário suficiente, as salas tinham cheiro de mofo”, diz a secretária de Cultura do Estado, Adriana Rattes.

“Não temos a pretensão de ser a maior do Brasil. Talvez seja a mais moderna, porque tem tecnologia arrojada. Mas a preocupação maior é com o acolhimento e a qualidade”, explica Vera Saboya, responsável pela área de leitura e conhecimento da secretaria.

A biblioteca pode receber até 5 mil pessoas por dia. São três andares e 15 mil metros quadrados dedicados não só à literatura, mas também ao cinema (20 mil filmes estão à disposição gratuitamente), à música (3 milhões de músicas digitalizadas), ao teatro, às artes plásticas e aos quadrinhos.

O acervo de 250 mil itens é quase todo novo. Cadastrado e munido de uma carteirinha, o usuário pode levar os livros para casa - ele pega o que quiser direto nas estantes. A exceção é a coleção Guanabarina, de publicações raras dedicada à constituição do estado do Rio, que só pode ser manuseada mediante agendamento.

Para os pequenos leitores, foi criada uma área infantil bastante atraente, voltada para um jardim. Para os maiores, duzentos computadores com internet rápida estão disponíveis. A biblioteca tem também um “lugar do ócio”, dedicado à contemplação e à reflexão.

Exposição - A biblioteca será inaugurada com uma exposição sobre a obra de Vinicius de Moraes (1913-1980). Não será uma mostra qualquer, mas o principal evento público em comemoração ao centenário do poeta e compositor. Numa ambientação multimídia, oito instalações artísticas apresentam textos, poemas, letras de músicas, livros e fotografias ilustrativas de sua trajetória na literatura e na música.

“Quando conheci a biblioteca, ainda em obras, fiquei obcecada pelo lugar. É moderníssima”, diz a filha caçula do autor, Maria de Moraes. “Levar Vinicius para lá é levar o poeta para sua casa. Ele foi muito produtivo e múltiplo e destacamos seu amor pela palavra”.

A exposição passa pelo erudito e o popular, a obra para o teatro, a correspondência com os amigos e o pensamento de Vinicius. Debates, palestras e shows com nomes como Edu Lobo, Adriana Calcanhotto e Toquinho estão na agenda até junho.

Público - Pela localização - o coração do Rio, ao qual se chega de ônibus, metrô e trem (foi montado um bicicletário, para quem quiser ir pedalando) - são esperados não só estudantes, mas cidadãos comuns, pesquisadores e professores. O horário não se atém ao comercial: funciona de terça a domingo das 10 às 20 horas.

Essa será a quarta das bibliotecas parques do Rio, criadas para serem espaços de convivência ricos em experiências culturais múltiplas. A inspiração vem das cidades de Medellín e Bogotá, na Colômbia, onde a oferta do serviço foi um aliado no combate à violência em áreas pobres.

Esta é a primeira que reaproveita uma biblioteca que já tinha sua história. A origem da BPE remonta a 1873, quando foi criada, por Dom Pedro II, em outro endereço do centro. Na Presidente Vargas, a fundação foi em 1943. Em 1987, o escritor e então vice-governador Darcy Ribeiro a transformou num centro cultural, com foco para além do livro.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.