Biblioteca Nacional, pela Internet

A comemoração do Dia Nacional do Livro, hoje, é também a data de aniversário de um dos maiores tesouros da cultura brasileira: a Fundação Biblioteca Nacional, que completa 191 anos. Mas quem dará um grande presente ao público é a própria aniversariante. Será lançado hoje, às 18 h, o projeto Biblioteca Nacional Sem Fronteiras, que disponibiliza na Internet o acervo de nove milhões de documentos no endereço www.bn.br. O processo de digitalização - que custou R$ 4 milhões, financiados pelo Ministério da Cultura - vai permitir o acesso a obras raras, com os textos completos, como a Bíblia de Mogúncia, publicação mais antiga da biblioteca, datada de 1462, e um dos primeiros livros impressos no mundo. A obra veio para o Brasil, assim como grande parte do acervo, quando Dom João VI cruzou o Atlântico fugindo das tropas de Napoleão Bonaparte, em 1808. A presidente da Comissão de Criação de Biblioteca e Arquivo Digital da Fundação Biblioteca Nacional, Ana Lígia Medeiros, diz que o incunábulo (nome dado aos primeiros livros do século 15) está em um cofre da Divisão de Obras Raras aoqual poucas e escolhidas pessoas têm acesso. "Um pesquisador tem que apresentar um motivo muito forte para poder pesquisar na Bíblia. O valor é inestimável." Ana Lígia conta que, para se ter uma idéia do quanto a obra é valiosa, uma instituição americana chegou a oferecer uma biblioteca inteira em troca do exemplar. Entre outras raridades do acervo que estão sendo digitalizados encontram-se a Gramática de João de Barros (primeira da Língua Portuguesa e única existente no mundo, datada de 1539), Carta de Caminha, Carta da Lei Áurea e o primeiro mapa do mundo no qual aparece o Brasil, de 1562, como America Brasillis. Abertura - O imponente prédio da Avenida Rio Branco, no Rio de Janeiro, onde se encontra a Biblioteca Nacional desde 1910, está abrindo suas portas para crianças e seus pais conhecerem e se interessarem pelo mundo da leitura. Oficinas de criatividade, as Bibliosábados, acontecem todos os fins de semana, até 24 de novembro. O objetivo é ensinar a garotada a confeccionar revistinhas e colocá-las em contato com histórias famosas. A coordenadora de programas especiais da Fundação, Vânia Bonelli, explica que o projeto foi criado para despertar o interesse pela cultura de toda família. "Pretendemos acabar com essa imponência que a Fundação passa. O projeto é para crianças, mas os pais também vão se interessar em conhecer a literatura."

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.