Biblioteca Mário de Andrade completa 80 anos

A Biblioteca Mário de Andrade (BMA) completa, amanhã, 80 anos, sem muitos motivos para comemorar. Alardeada pela gestão anterior da Prefeitura, a reforma da BMA não resolveu os problemas mais graves do prédio, que fica na Rua da Consolação, 94. A mais importante biblioteca da cidade, e a segunda maior do País, ainda convive com o mofo e infiltrações, com a falta de ventilação e climatização, com a falta de espaço e materiais básicos de trabalho. "A Mário de Andrade está agonizando, depois de passar por mais uma década de abandono", alerta o novo diretor da biblioteca, Luís Francisco Carvalho Filho, que assumiu o cargo há 15 dias. Para o novo diretor, o ponto principal para uma virada na qualidade de operação da Mário de Andrade é a volta da autonomia. "Desde 1975, a biblioteca é subordinada ao Departamento de Bibliotecas. Desta forma, é tratada como só mais uma biblioteca da cidade." Ele prepara uma movimentação política, num apelo ao secretário municipal de Cultura, Emanoel Araújo, e ao prefeito José Serra para que a biblioteca tenha, na estrutura da secretaria, o status que merece. "O Centro Cultural, por exemplo, que passava por graves problemas, conseguiu ser recuperado pela gestão de Carlos Augusto Calil porque tem autonomia", compara. "Uma instituição do tamanho da Mário de Andrade não pode ser só mais uma biblioteca." Com 3 milhões de itens no acervo, a Mário de Andrade não tem climatização adequada. O ar-condicionado foi instalado no subsolo em 1992, mas nunca ligado. "Fizemos um estudo e chegamos à conclusão de que é mais barato comprar um aparelho novo do que fazer este funcionar", diz Marfísia. A sala de ar condicionado, com seu teto de gesso caindo aos pedaços e fiação pendurada, serve de depósito para o material que está em desuso, mas não pode ser descartado. "A lei não permite que nos desfaçamos destas mesas e cadeiras quebradas, por exemplo, porque são patrimônio público." Outro problema da BMA e é a superlotação. O projeto de 1925 - uma batalha do próprio poeta Mário de Andrade, criador e diretor do Departamento de Cultura da Municipalidade Paulistana - previa a construção de duas torres, de 22 andares cada uma. Prefeito da época, Prestes Maia, às rusgas com Mário, autorizou apenas uma. Oitenta anos depois, não há mais espaço para os livros. A BMA, por exemplo, é a depositária no Brasil das publicações da ONU - que estão sem catalogação, à espera de um lugar adequado. Eventos lembram 60 anos da morte do poetaTriste coincidência, no dia em que se comemoram os 80 anos de criação da Biblioteca Mário de Andrade, também são lembrados os 60 anos da morte do poeta modernista. Às 22h30 do dia 25 de fevereiro de 1945, Mário sentiu uma forte dor aguda e sucumbiu, "vítima de um ataque de angina pectoris" - como relataram os jornais da época. Tinha 51 anos. Amanhã, em homenagem ao poeta, o ator Pascoal da Conceição, que viveu Mário na minissérie Um só Coração (TV Globo), comanda uma programação especial. "Ele vai ser redescoberto e ter logo mais a estatura que alguns poetas têm no Brasil", diz. O programa começa na Casa Mário de Andrade (Rua Lopes Chaves, 546, tel. 3666-5803).Veja a programação: 10h30 - Roda de capoeira na Casa de Mário de Andrade 12h - 60 Rosas para Mário, no Cemitério da Consolação 18h - Missa comunitária, na Igreja da Consolação 20h - Reencontro com Mário de Andrade e Villa-Lobos, no Sindicato dos Jornalistas (Rua Rego Freitas, 530, telefone 3217-6299) 21h30 - Mário de Andrade Desce aos Infernos e Grupo A Barca toca no piano do poeta, na Casa de Mário de Andrade

Agencia Estado,

24 de fevereiro de 2005 | 10h36

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