Akiko Miyake/Divulgação
Akiko Miyake/Divulgação

'Biblioteca del Corpo' estreia em SP

Bailarinos explorados como se fossem livros é a proposta do espetáculo de Ismael Ivo

HELENA KATZ - ESPECIAL PARA O 'ESTADO', O Estado de S.Paulo

26 de junho de 2012 | 03h11

Biblioteca del Corpo apresenta-se quarta e quinta, às 21 h, no Sesc Pinheiros. Trata-se do segundo resultado da parceria iniciada em 2010 entre o Sesc São Paulo e a Bienal de Veneza, que já produziu Babilônia, o Terceiro Paraíso, visto em SP em 2011. Assim como o primeiro, também foi coreografado por Ismael Ivo, que há oito anos dirige a Bienal de Dança de Veneza - cujo nome oficial é International Contemporary Dance Festival (Festival Internacional de Dança Contemporânea). Desta vez, Ivo programou, de 8 a 24 de junho, 5 estreias mundiais, 5 estreias na Itália e 20 trabalhos curtos na Marathon of the Unexpected (Maratona do Inesperado), um espaço dedicado a trabalhos inovadores.

Uma das estreias mundiais foi a da Biblioteca del Corpo, justamente a que abriu a Bienal 2012, inaugurando um vínculo com o Arsenale della Danza. Instalado em Veneza há quatro anos por Ismael Ivo, trata-se de uma formação gratuita e intensiva de 4 meses a 25 jovens de vários países. Seu encerramento ocorre com a montagem de uma obra, que é dançada lá e aqui.

Em 2011, o Sesc SP financiou cinco bolsas de estudos para brasileiros participarem deste projeto, mas reduziu para três em 2012. Apesar desse corte, o número de brasileiros aumentou para oito porque a Secretaria de Estado da Cultura assumiu cinco bolsas para residentes no Estado de São Paulo. Cada qual recebeu passagens aéreas, alimentação, seguro saúde, hospedagem e ajuda de custo durante a realização do programa.

Os 25 bailarinos que dançam a Biblioteca del Corpo proveem do projeto educacional Arsenale della Danza. Fizeram aulas de Repertório Forsythe com Francesca Harper, danças sagradas indianas com Terence Lewis, dança contemporânea japonesa com Ko Morobushi, dança clássica tailandesa com Pichet Klunchun, o corpo antropológico com Adriana Borriello, e o corpo ritual com os brasileiros Maria Thaís e Wellington Campos, dentre outros.

Em entrevista ao Estado, no café do Ca'Giustinian, endereço da sede da Bienal de Veneza, Ismael Ivo declarou o seu interesse crescente pela educação. "Continuo gostando de dançar, de coreografar, de dirigir, de programar, mas a questão da formação vem me atraindo cada vez mais. É de uma importância muito grande e pede atenção de todos os que se preocupam com a dança. Sinto que tenho uma contribuição a dar nessa direção."

Impulsionado pelo sucesso do Arsenale della Danza, Paolo Barata, presidente da Bienal de Veneza, anunciou a criação do Biennale College: "Os primeiros passos foram dados pela dança (referindo-se ao Arsenale della Danza) e vão envolver progressivamente todos os outros setores da Bienal." Famosa pela sua exposição de artes, a Bienal de Veneza, também atua nos segmentos da Dança, Música, Teatro, Arquitetura e Cinema.

Mas enquanto o projeto do Biennale College ainda não está formatado, o público local aclama a Biblioteca del Corpo, o trabalho final do curso de 2012 do Arsenale della Danza. Segundo Ivo, que assina a sua concepção e coreografia, trata-se de uma instalação coreográfica, na qual os corpos são explorados como livros. "Cada qual é um livro único, com saberes que fazem parte do conhecimento humano, mas se manifestam de forma original em cada um."

Preparando-se para o retorno a seus países, os jovens estudantes declararam seu desejo de mergulhar na carreira para a qual agora se sentem bem mais preparados. A aclamação do público que lotou o Teatro Alle Tese, nos dias 8, 9 e 10 de junho, alimenta, por enquanto, a energia necessária para que enfrentem o processo de profissionalização que vai se iniciar.

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