Biblioteca de SP terá reforma de R$ 21 milhões

Uma vez por semana, um funcionário da Biblioteca Mário de Andrade se desloca para Santo Amaro, para atender a quem deseja consultar parte de seu acervo: a maior parte de seus periódicos (jornais e revistas) está instalada na Biblioteca Robert Kennedy, na distante zona sul de São Paulo. Ao todo, são 1,7 milhão de peças fora do lugar, contra apenas 400 mil que permanecem no centro da cidade. Outra parte, a biblioteca circulante (cujos livros os usuários podem levar para casa), fica mais perto, na Rua da Consolação, próximo à Maria Antônia, também em condições precárias. A falta de espaço é apenas um dos problemas da maior - e talvez mais bonita - biblioteca da cidade. Atualmente, ela tem poucos e obsoletos equipamentos (inclusive para o controle de incêndios), um acervo de livros defasado, acesso limitado à internet, etc. Para se ter uma idéia da situação, nem e-mail da Prefeitura a instituição usa. Ainda assim, cerca de 25 mil pessoas a utilizam todos os meses. Na segunda-feira, a prefeita Marta Suplicy participa da inauguração do seu site oficial (www.prefeitura.sp.gov.br/mariodeandrade), junto com a digitalização do que é chamado de "tesouros da cidade de São Paulo" (essencialmente, fotos que registram a cidade de 1860 a 1920 e uma centena de livros de viajantes - o custo do projeto, em parceria com o Instituto 21, fundação ligada à Embratel que o patrocinou e semelhante a um feito com a Biblioteca Nacional, do Rio de Janeiro, foi de R$ 720 mil) e a criação da Sociedade de Amigos da Mário, uma entidade civil que deve ajudar, no futuro, a preservar e gerir a instituição. Informatização recenteO convite para os membros fundadores da sociedade foi enviado de um endereço de e-mail gratuito - quem aceitasse participar desse núcleo de fundadores deveria responder "sim" para outro endereço, de outro provedor, também gratuito. A informatização da Mário de Andrade teve início na gestão Erundina (1989-1992), mas foi interrompida. Um ano atrás, não havia nem sequer computadores com acesso à internet na biblioteca - hoje, eles são apenas quatro, sempre ocupados por usuários que marcam os horários de uso, necessariamente, com antecedência. Na área de microfilmes, só duas máquinas de leitura funcionam, e também não é simples achar um horário vago na agenda de pessoas que desejam consultá-los. Também na segunda-feira, a Mário de Andrade mostra as maquetes eletrônicas da reforma do prédio - atualmente, não há nem mesmo um sistema automático de controle de incêndio instalado. A obra (orçada em R$ 17,872 milhões) tem financiamento do BID e faz parte do projeto de reconstrução do centro. Espaço para o acervo será duplicadoCom ela, o espaço para o acervo será duplicado (com a criação de três pavimentos no subsolo), um novo auditório será construído e a área de sociabilidade será ampliada - pelo projeto, a biblioteca contará com um restaurante, um café, uma livraria e espaços permanente para exposições, além de ter uma conexão mais direta com a Praça Dom José Gaspar, que já está passando por reformas. Pela programação da Prefeitura, a reforma estará completa até o fim de 2004, mas algumas etapas serão entregues antes. Nesta semana, uma equipe de técnicos iniciou a prospecção que permitirá o início da reforma em agosto. "A diferença dessa verba de outras feitas anteriormente é que os recursos são destinados especificamente para ela, não dá para realocar", afirma José Castilho Neto, há um ano diretor-geral da instituição. A reforma prevê ainda, num processo chamado de fortalecimento institucional, no valor total de R$ 3,508 milhões, ações que vão da desinfecção do acervo à microfilmagem de obras, bem como a da instalação de equipamentos multimídia e de segurança. A falta de equipamentos de segurança é um dos problemas, por exemplo, que limitam o número de livros que um usuário pode pedir. Atualmente, eles são no máximo dois. A falta de espaço, por sua vez, impõe outras limitações. Nos anos 1980, o prefeito Jânio Quadros cortou a assinatura que a Mário de Andrade tinha da revista PC World - pois achava que a instituição não deveria comprar um instrumento de organizações comunistas. Além da arbitrariedade da decisão, o que marcou o caso foi o fato de a revista não se referir a organizações políticas, mas a computadores pessoais. Provavelmente, hoje essa assinatura nem existiria, mas por falta de verbas e de possibilidade de armazená-la. A reforma, contudo, é apenas um passo na melhoria do atendimento aos usuários da Mário. Hoje, ela trabalha com 25 bibliotecários e 102 funcionários não-especializados. Em condições ideais e atendendo a 700 mil pessoas por ano - como prevê o projeto de reformulação da Prefeitura -, o ideal é que houvesse cem bibliotecários e outros 200 funcionários. Além disso, há os problemas administrativos: a biblioteca, apesar de suas dimensões, depende da burocracia da Secretária Municipal de Cultura para a gestão de coisas simples, como a compra de toner para impressoras.

Agencia Estado,

19 de julho de 2003 | 14h51

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