Bibi Ferreira leva aos franceses sua homenagem a Edith Piaf

Bibi Ferreira está "morrendo de felicidade", conforme sua própria expressão, porque o ponto alto das comemorações pelos seus 60 anos de carreira artística ocorrerá na proxima segunda-feira em Paris, a cidade e sobretudo o "palco" de Edith Piaf, que ela interpreta para os brasileiros há duas décadas com inequívoco sucesso de crítica e de público. Segunda-feira à noite, no Teatro Dejazet (próximo da Praça da República e com lotação já esgotada para a ocasião), o público parisiense verá a apresentação única do espetáculo Bibi canta e conta Piaf, com a participação, na parte narrativa, do paulista Nilson Raman. A artista já recebeu no entanto, propostas do empresário Jean-Jacques Vannier para realizar uma turnê pelas outras grandes cidades francesas, mas ainda não se pronunciou a respeito. Além de realçar-lhe a popularidade no Brasil (onde já foi levado em 60 cidades) e Portugal (ficou em cartaz 6 meses no Cassino Estoril em Lisboa), o show sobre Piaf lhe fez merecedora do reconhecimento da França, que a distinguiu há alguns anos com a Comenda das Artes e das Letras. Ao agraciá-la, o então Ministro da Cultura (hoje da Educação) Jack Lang destacou "o trabalho extraordinário" de Bibi em favor da difusão dos valores culturais franceses no Brasil. Para o cantor e compositor Georges Moustaki, um dos amores de Piaf e de quem ela cantou várias músicas, é "um acontecimento maior essa apresentação de Bibi, uma artista brasileira, interpretando para os franceses a Diva do nosso cancioneiro nacional". Apesar do "militantismo" musical francês de Bibi, esta é a primeira vez que ela vem a Paris. Ao desembarcar quinta-feira à tarde, a atriz foi direto conhecer o "seu monumento-fetiche", o Arco do Triunfo. À Agência Estado explicou o porquê de tal magia: "sou uma devota de Napoleão Bonaparte, o guerreiro e o homem de sensibilidade que promoveu as artes e a cultura francesas. O Arco do Triunfo é o monumento que o simboliza por excelência". Depois, Bibi desceu os Champs Elysées foi até o Louvre, passando pela Praça da Concórdia e a igreja da Madeleine, naquela perspectiva majestosa concebida igualmente por Napoleão. "Divino, Divino", ia exclamando pelo caminho, enquanto Nilson Raman sugeria uma parada para "o brinde de champagne à Cidade Luz". Cansada das 11 horas de vôo, Bibi preferiu "deixar os espumantes para depois". Emocionada, lembrou em seguida ter sempre lido abundante literatura sobre a França, mas nada se comparou até hoje com o relato verbal que o pai, Procópio, lhe fez "da beleza e da riqueza cultural deste País". E sublinha: "Eu era menina, mas continua viva a memória do que papai me contou. Não posso esquecer também que ele foi homenageado por Maurice Chevalier, Jean Gabin, Louis Jouvet e os outros monstros do mundo artístico francês da época. Foi do "velho" que herdei o amor pela França". Aos amigos e admiradores que a esperavam com flores no hotel, (próximo do Arco do Triunfo), Bibi, radiante, fez ar de surpresa e exclamou "Mon Dieu!" E promoteu cantar a canção com esse título, do repertório clássico de Piaf e que é uma de suas preferidas juntamente com Ville Inconnue. E a todos encantou com o pedido: "Não esqueçam, depois do espetáculo na segunda, venham me abraçar no camarim".

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