BH prepara show em homenagem a Milton Nascimento

Eles queriam a cidade muito ensolarada, os meninos e o povo no poder. "Coração Civil", música de Milton Nascimento e Fernando Brant, é uma profissão de fé pela utopia da democracia, com a qual os poetas já começaram a colher frutos no quintal em 1981, quando o som pode ser ouvido em "Caçador de Mim". E, no dia 12 de dezembro, em Belo Horizonte, mais um sonho teimoso se realizará. Pelos menos 11 artistas confirmados realizarão uma homenagem a Milton Nascimento, em comemoração à Declaração Universal dos Direitos Humanos, assinada em 10 de dezembro de 1948.

ROGER MARZOCHI, Agência Estado

19 de novembro de 2010 | 14h33

O show, com curadoria de Antonio Nóbrega, será realizado com apoio da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República e do Ministério da Cultura, encerrando a Feira Música Brasil (FMB), que divulgou ontem a lista de 39 artistas que se apresentarão na terceira edição do evento. "É um reconhecimento a todo o trabalho do Milton na luta contra a ditadura militar e em defesa aos direitos humanos", diz Rogério Sottili, secretario-executivo da Secretaria de Direitos Humanos. "Eu sou uma das pessoas que foram marcadas por ''Coração de Estudante'' e ''Volver a los 17'', que Milton gravou com a Mercedes Sosa." Segundo ele, já foram confirmados para a homenagem Elba Ramalho, Elza Soares, Lenine, Chico Cesar, Arnaldo Antunes, Fernanda Takai, Lô Borges, Luiz Melodia, Pablo Milanés, Margareth Menezes e Sérgio Ricardo.

Sottili lembra que a homenagem acontece 37 anos após o show organizado por Jards Macalé que, junto com Chico Buarque, aproveitaram trechos da Declaração dos Direitos Humanos como protesto contra a ditadura. No palco, estavam Chico, Edu Lobo, Dominguinhos e Milton. "Ele (Macalé) não teve condições políticas de fazer o segundo show. Mas nem sei se era essa a pretensão", diz o secretário-executivo. Mas, desde 2005, todo ano o show é realizado, com uma programação cultural que envolve música, cinema e debates e deve continuar no próximo governo, com show, provavelmente, no Sul do País. "Não é um evento político. Mas é preciso um processo de reeducação, que passa pela cultura para incorporar nas pessoas o valor dos direitos humanos. Não dá resultado imediato, é um processo muito longo."

Neste ano, o show casou com a FMB, criada pelo Ministério da Cultura e realizada pelo Centro de Música (Cemus) da Fundação Nacional de Artes (Funarte), em parceria com o Conselho Rede Música Brasil. Ontem, os organizadores divulgaram 39 artistas selecionados para os shows, que começarão no dia 8 de dezembro, entre eles, o próprio Jards Macalé. Também na categoria música popular se apresentarão Ná Ozzetti, Toninho Ferragutti, Tulipa Ruiz, Maestro Ademir Araújo e Orquestra Popular do Recife, Banda de Pífanos de Caruaru, DJ KL JAY, Rabo de Lagartixa , entre outros. Na música erudita foram selecionados GIMBa - Grupo de Intérpretes Musicais da Bahia, Quaternaglia, Quinteto Brasília e Quinteto Persh. Há ainda outros 27 artistas suplentes.

No dia 12, às 19h30, no palco da Praça da Estação, no centro de Belo Horizonte, a FMB fechará com a homenagem a Milton Nascimento. Cada um dos artistas que participarão da homenagem deverão cantar três músicas próprias e uma de Milton. No final, Bituca (apelido de Milton) deverá subir ao palco para vislumbrar as coisas boas que o homem faz. Em 1992, por exemplo, o Brasil assinou o Pacto de San José da Costa Rica, de 1969, que buscava consolidar nas Américas os direitos fundamentais descritos pela Declaração Universal dos Direitos Humanos. É o mesmo São José de "Coração Civil".

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