BH prepara-se para diminuir número de excluídos

Em Belo Horizonte, assim como acontece em todo o País, acesso público à Internet não é uma realidade. Na cidade, só acessa a rede mundial de computadores quem tem computador em casa e no trabalho ou quem pode pagar por um cybercafé. O único ponto público gratuito é a Biblioteca Pública Estadual. Lá, existe um computador conectado à Internet, com acesso gratuito, por ordem de chegada. O usuário pode permanecer por 30 minutos, sendo acompanhado por um monitor, e só paga se quiser imprimir.Porém, essa situação deve mudar. Segundo Marco Cepic, professor da UFMG e pesquisador na área de políticas públicas, "a Internet não pode ser mais um mecanismo de exclusão". No ano passado, ele realizou, a pedido da Prefeitura de Belo Horizonte, uma pesquisa sobre a utilização da rede em Belo Horizonte com os pesquisadores José Eisenberg, Leonardo Avritzer (também do Departamento de Ciências Políticas da UFMG) e Bruno Lazarotti (Escola de Governo da Fundação João Pinheiro).De acordo com essa pesquisa, existiam em Belo Horizonte, em 1999, cerca de 110.000 usuários, o que representa 5% do mercado nacional. E, do total destes usuários, 84% pertencem às classes AB. A principal conclusão da pesquisa foi a de que, além da aquisição dos equipamentos de hardware para o acesso, existe o empecilho da familiarização com as novas tecnologias. "As pessoas não se sentem à vontade e não têm interesse", afirma Cepic.Internet para todos - Baseado nesses dados, a Prefeitura de Belo Horizonte, através da Prodabel, está implantando um projeto para viabilizar pontos públicos de acesso à Internet em bibliotecas, escolas e outros locais espalhados pela cidade. Para Eustáquio Cota, Analista de Sistemas da Prodabel, o Internet Popular tem o objetivo de minimizar a exclusão social da rede. Para isso, pretende atender às duas diretrizes básicas da pesquisa: permitir acesso aos equipamentos e prover informações para ensinar as pessoas que nunca tiveram acesso à rede.A primeira unidade do Internet Popular vai ser implantada em junho, no Centro de Cultura de Belo Horizonte. Serão três computadores, com monitores treinados para orientar os usuários. O acesso será livre, mas não poderão ser abertos sites que envolvam discriminação e pornografia. O projeto visa, a princípio, a instalação de mais quatro pontos em escolas, bibliotecas e possivelmente no Restaurante Popular, até o final do ano. Para garantir essa "alfabetização eletrônica" que o projeto pretende, é fundamental, segundo Cepic, que haja informações na rede condizentes com o cotidiano das pessoas. "As pessoas têm que se identificar para que haja interesse", diz.Iniciativa Privada - Enquanto o serviço gratuito não vem, a iniciativa privada está explorando o mercado de acesso à Internet. Em Itaúna, Minas Gerais, já está funcionando desde o ano passado a primeira Bag Shop. É um quiosque com até quatro computadores, onde é possível o acesso à rede através de cartões como os telefônicos, com tecnologia ISDN e monitores treinados para atendimento, manutenção, vendas e pequenos reparos.Segundo Wellington Borges, diretor da empresa que está franqueando o produto, a iniciativa é mais um fator para a diminuição da "exclusão digital" que existe no Brasil. Ele lembra que a idéia não é novidade, e é muito explorada na Europa e na América do Norte. "Na unidade de Itaúna a receptividade tem sido boa e estamos usando como laboratório, onde temos corrigido e adicionado serviços", diz Wellington. Para ele, os pontos públicos gratuitos que o governo viabilizar não são vistos como concorrência e, sim, como aliados para expandir ainda mais o uso da Internet e de suas várias utilidades.A empresa já assinou contrato para a implantação de cerca 200 pontos nas agências franqueadas dos correios em várias cidades de Minas Gerais.

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