BH aposta na descentralização cultural

O novo mandato do prefeito Célio de Castro em Belo Horizonte não deve privilegiar a Cultura. Durante toda a campanha eleitoral, os principais assuntos discutidos e que, provavelmente, serão prioritários, são a violência, o desemprego e a área da saúde - vale lembrar que Célio de Castro também é médico.Entretanto, a área cultural tem se desenvolvido em Belo Horizonte nos últimos anos com a implementação de diversos eventos, espaços e atrações internacionais. Desde o mandato do prefeito anterior, Patrus Ananias, a Secretaria Municipal de Cultura busca atender a uma demanda crescente da população da capital mineira.Mariza Rezende, secretária municipal de Cultura desde abril deste ano, afirma que agora os principais objetivos da prefeitura são "manter, ampliar e aprofundar os projetos já em andamento". Juntamente com a iniciativa privada e outros parceiros estatais, como a Secretaria Estadual de Cultura e as Secretarias de Turismo, vários das ações realizadas em Belo Horizonte serão, segundo ela, incrementadas e aperfeiçoadas.A secretária admite que há uma demanda crescente por espaços descentralizados de cultura na cidade. "Só este ano, recebemos sete pedidos de criação de centros culturais nos bairros, dos quais aprovamos quatro", diz. E é nessa área que a secretaria tem investido, com a manutenção dos centros já existentes e a inauguração de novos espaços - no mês de outubro foram inaugurados dois novos centros, o da Pampulha e o Zilah Spósito. A cada dois meses, são realizados nestes centros os chamados "circuitos culturais", com atrações de Belo Horizonte do próprio bairro, além dos cursos de capacitação e dos debates promovidos permanentemente.Talvez por estarem desenvolvendo projetos descentralizados a Secretaria, a Prefeitura e a Belotur não consideram prioridade a construção de um espaço específico para grandes shows na cidade. Esta é uma demanda da população e dos próprios artistas, que se manifestam negativamente quando pretendem estar na cidade e não possuem espaços com estrutura para tais eventos. "O que nós pretendemos neste sentido é equipar melhor nossas unidades. A Serraria Souza Pinto, por exemplo, tem capacidade para seis mil pessoas, mas tem uma acústica péssima, que poderia ser trabalhada", lembra Mariza.Metas - A secretária realça que não há maiores novidades na área da cultura para Belo Horizonte por enquanto. "Nossas metas no próximo ano incluem um projeto de climatização do Museu de Arte da Pampulha e uma reforma da Casa do Baile (também na Pampulha)", afirma Mariza.Para o próximo ano estão previstos os mesmos eventos anuais ou bienais, que são o Salão Internacional do Livro, o Panorama Mundial de Cinema e os Festivais Internacionais de Dança, Teatro e Quadrinhos. Para a secretária, existe também uma possibilidade de ser realizado um Festival de Arte Negra no ano que vem.Segundo Mariza, outra vertente importante são os projetos ligados à lei municipal de incentivo à cultura. No ano passado foram aprovados 127 projetos com verba de mais de R$ 2 milhões. Desde 1995, foram 834 projetos aprovados com a lei, sendo que somente no ano passado aconteceram 179 aprovações.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.