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Bezos

Tudo o que Jeff Bezos toca ou permite que toquem vira ouro, como num conto de fada

Luis Fernando Verissimo, O Estado de S.Paulo

30 de julho de 2020 | 03h00

O americano Jeffrey “Jeff” Bezos começou a Amazon, uma empresa de comercio “on line”, em 1994, na garagem da sua casa. Hoje, Bezos é o homem mais rico do mundo. Sempre que vejo uma foto dele com sua careca reluzente penso na estatueta de um buda que temos em casa. Além de careca, nosso pequeno buda tem uma barriga proeminente e é uma tradição da casa, em toda noite de Ano Bom, esfregarmos a barriga do buda para termos sorte no ano que se aproxima. Tem dado certo. Não sei se existe uma tradição parecida na casa do Bezos. Talvez no Ano Bom se reúnam todos na garagem da sorte, e Bezos deixa que façam o que quiserem com sua careca, pois certamente dará dinheiro. Tudo o que Bezos toca ou permite que toquem vira ouro, como num conto de fada. Ele e sua mulher MacKenzie divorciaram-se, não faz muito. Não se sabe quanto, exatamente, coube a MacKenzie como reparação pela separação, especula-se que ela tenha recebido 25% das ações de Bezos na empresa. O fato é que MacKenzie agora é a 13.ª pessoa mais rica do mundo.

O jornal inglês The Guardian, com um certo mal disfarçado orgulho bairrista, comparou a fortuna de Bezos com a de outras potências mundiais, como Nike e McDonald’s. Segundo The Guardian, Bezos poderia comprar as duas. Comprou o jornal Washington Post. E, se quisesse, poderia comprar os quatro maiores bancos da Inglaterra, juntos. Como Bill Gates (segundo mais rico), Bezos dá dinheiro para programas sociais e caridades, mas não tanto. Não assinou o pacto feito por Gates e o investidor Warren Buffett que incentiva os mais ricos a aplicar pesado na guerra contra o coronavírus e tem sido mesmo o exemplo mais citado de trilionários que multiplicam seus lucros enquanto o restante da humanidade sofre. Mas a culpa é da careca, que continua fazendo tudo à sua volta virar ouro. Como num conto de fada.

 

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