'Bezerra' faz 50 mil espectadores em fim de semana de estréia

Filme vai na contramão e amplia circuito no momento que a produção nacional encolhe no mercado

Luiz Carlos Merten, de O Estado de S. Paulo,

04 de setembro de 2008 | 17h37

Cena do filme 'Bezerra de Menezes' Glauber Filho anda rindo à toa. O professor do curso de comunicação na Universidade Federal do Ceará é um dos co-diretores (com Joe Pimentel) de Bezerra de Menezes. Sem muita mídia, o filme estreou na semana passada para seguir uma tendência oposta à da produção brasileira recente. Pesquisas apontam para uma diminuição da participação nacional no próprio mercado. De 22% em 2003, os filmes brasileiros hoje ocupam um espaço bem mais reduzido, 6,09%.   Veja também: Trailer de 'Bezerra de Menezes: O Diário de um Espírito'    O circuito encolhe, os números caem. Na contramão, Bezerra de Menezes bateu no primeiro fim de semana filmes que tiveram mais destaque na imprensa, como A Encarnação do Demônio, de José Mojica Marins, e Os Desafinados, de Walter Lima Jr. Com 1.200 espectadores por cópia, fez 50 mil espectadores de sexta a domingo. Manteve alta média durante a semana e a conseqüência é que as 44 salas que exibiam Bezerra viram 52, incluindo, a partir desta sexta-feira, 5, o Shopping Eldorado, em São Paulo.   O filme nasceu de uma encomenda feita aos diretores pela Associação Estação da Luz, do Ceará. A idéia inicial era fazer um documentário para distribuição em DVD, com custo aproximado de R$ 100 mil. O projeto cresceu, principalmente depois de ser testado junto aos participantes de um congresso de espiritismo na Colômbia. Glauber Filho não se define como espírita, mas não contesta o dogma da doutrina de Allan Kardec e Bezerra de Menezes. Ele acha que não fez um filme somente para esse segmento do público, embora o tivesse como alvo. O excesso de música sentimentaliza o relato, que foi acrescido de elementos de ficção e virou docudrama. Carlos Vereza, que faz o papel, é espírita. A maneira como o ator diz seu texto, pesquisado nos escritos do ‘dr. dos pobres’, causa estranhamento. É como se Vereza dissesse suas falas de maneira truncada. "Quem já freqüentou uma sessão espírita e viu um médium encarnar o dr. Bezerra sabe que ele falava assim", diz o diretor.

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