Beto vai onde o povo está

Retificando os versos de Fernando Brant e Milton Nascimento, dois companheiros do já quarentão Clube da Esquina, Beto Guedes diz: "Já falaram que todo artista tem de ir aonde o povo está, e está correto, mas as pessoas têm de chamar a gente." De CD e DVD novos nas lojas, Outros Clássicos (Biscoito Fino), Beto foi chamado ao Rio, onde canta e toca com sua banda hoje e amanhã, às 19h30, no Teatro Rival (Rua Álvaro Alvim, 33, tel. 21- 2240-4469; de R$ 45 a R$ 65).

Roberta Pennafort, O Estado de S.Paulo

11 de fevereiro de 2011 | 00h00

Ele não faz muitos shows nem tem grande estímulo para compor - o último CD de inéditas remonta a 2004. "O mercado virou de cabeça para baixo e as coisas estão muito difíceis. As gravadoras estão contratando pouco. A gente tem que ir a Brasília arrumar verba. De certa maneira, desanima. Se eu não tivesse conseguido esse patrocínio agora, iria trabalhar como? Compor para mim mesmo? Não tem graça, é como dançar com irmã."

O patrocínio, do governo de suas Minas Gerais, incentivado pela Lei Rouanet, agora possibilita que os fãs tenham um belo registro de 17 "outros clássicos".

"Outros" porque os principais, parcerias com os clubistas Brant e Ronaldo Bastos, Amor de Índio, Lumiar, Sol da Primavera, O Sal da Terra, Nascente, Quando Te Vi, Feira Moderna, Maria Solidária, ele já havia regravado em 2003, no CD e DVD que comemoraram seus 50 anos.

No ano em que completa 60 (dia 13 de agosto), Beto recupera "lados B". São músicas assim chamadas pelo próprio, mas não propriamente desconhecidas: Tudo em Você e A Página do Relâmpago Elétrico, ambas com Ronaldo, O Medo de Amar É o Medo de Ser Livre, com Brant, Meu Ninho, com Wagner Tiso - autor dos arranjos -, e Luz e Mistério, de Beto e Caetano Veloso, e as demais foram escolhidas por seus seguidores na internet, numa votação.

A gravação foi num show em julho de 2010, em Belo Horizonte. Contou com as participações de Tiso, a seu lado desde o primeiro disco, A Página do Relâmpago Elétrico (1977), do acordeão mineiro de Célio Balona e da voz de Daniela Mercury.

O Sal da Terra é das mais tocadas em páginas da internet que utilizam músicas, segundo o Escritório Central de Arrecadação e Distribuição de Direitos (Ecad). Sinal de que as mensagens de amor e paz de Beto, com doses iguais de lirismo e bicho-grilice, não ficaram datadas. "O mundo está mais cruel, mas essas letras vão fazer sentido eternamente."

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