Bethânia canta 'o amor de todos os tipos'

Show Carta de Amor, que estreia amanhã, no Rio, só chega a São Paulo no dia 19 de março

LAURO LISBOA GARCIA, ESPECIAL PARA O ESTADO, O Estado de S.Paulo

17 de novembro de 2012 | 02h09

Maria Bethânia experimentou conceitos sonoros alternativos em relação ao que vinha fazendo nos últimos anos, mas não alterou a linguagem. Ou seja, mudou um pouco para continuar sendo ela mesma, dentro do processo de renovação, no álbum Oásis de Bethânia. Apenas sutis diferenças. No show Carta de Amor, que estreia amanhã, no Rio, e chega a São Paulo no dia 19 de março, a cantora segue trilha coerente, em roteiro baseado no repertório do CD e outros clássicos.

Com diversos compromissos acumulados, Bethânia não se dispôs a dar entrevista, mas comentou: "O título do show não se refere apenas à faixa do disco Carta de Amor, mas a todo tipo de amor que canto: o amor maduro, o amor inconstante, o amor traído, o amor eterno, o passageiro, o triste, o alegre..." Com maestro novo depois de muitos anos trabalhando com o violonista e arranjador Jaime Alem, ela une Bahia com Minas ao chamar o pianista e compositor Wagner Tiso para a direção musical. Bia Lessa, parceira de outros espetáculos, assina a direção artística e o cenário.

"Para mim, esse show é uma celebração da vida através do ofício da cantora e das convicções mais íntimas e profundas que ela tem", diz Bia. "Ela é uma pessoa muito mais da resistência do que da adaptação. Esse é o grande valor de Bethânia, a força que ela tem, o quanto ela resiste."

Wagner Tiso, que já trabalhou com a cantora em gravações, mas toca com ela no palco pela primeira vez, sabe, como todos, que Bethânia é plenamente convicta do que quer. O que, conforme Bia reafirma, "não impede que o trabalho dos outros brotem". No aspecto musical, Tiso chegou atendendo a pedidos da intérprete, "com ajuda dos amigos" músicos que a conhecem profissionalmente de perto, como o baixista Jorge Helder: "Bethânia queria botar uma sonoridade que não tinha nos shows dela, trazer um pouco da mineiridade, o jeito de fazer a coisa um pouco grandiosa, um pouco mais elaborada harmônica e melodicamente. Queria essa mistura de Minas e Bahia, que ficou muito interessante", diz o pianista e arranjador.

Segundo Tiso, o início e o fim do show são "bem grandiosos", assim como um momento no meio. A principal diferença na sonoridade é a troca do violão de Jaime Alem pelo piano de Tiso, que se destaca também em duos dele com a cantora em canções como Casablanca e Barulho, ambas de Roque Ferreira.

O oásis de Bethânia é seco e a concepção cênica de Bia segue essa ideia de concisão material. "O cenário tem apenas o necessário", diz a diretora. "O que esse espetáculo da Bethânia pede é o mais limpo do limpo do limpo. Precisa do vazio, que tem de ser preenchido."

O cenário é composto apenas de um grande tapete de tiras confeccionado por várias costureiras. "Deu muito trabalho para ser feito, como é a própria vida. E ao mesmo tempo remete ao universo popular", diz Bia. "Só que eu não quis colocar aquelas cores populares, para que remetesse também ao universo erudito, que acho que é um pouco o que Bethânia faz. Ela é representante não apenas de um tipo de brasilidade, mas de um Brasil complexo."

Daí a ideia de fazer o tapete com apenas duas cores, dourado e marfim, e vários subtons delas, que simbolizam sofisticação. "E tudo o que acontece durante o espetáculo é feito com luz." A iluminação tem a mão de Tomás Ribas.

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