Beth Goulart traz a SP seu tributo a Clarice Lispector

Presa em sua casa, como a maioria dos cariocas na manhã de terça-feira, em meio ao caos provocado pela chuva intensa da véspera, Beth Goulart tinha, ainda assim, motivo para celebrar. Na noite anterior, ela ganhara o Prêmio Shell 2009 de melhor atriz por seu solo "Simplesmente Eu, Clarice Lispector", no qual ela é intérprete e ainda assina o texto e a direção. A peça está em cartaz no Rio, com apresentações às terças e quartas, mas, a partir de amanhã, a atriz vai se desdobrar entre duas cidades. O espetáculo inicia temporada na Centro Cultural Banco do Brasil de São Paulo, às sextas, sábados e domingos.

AE, Agência Estado

08 de abril de 2010 | 09h37

"Clarice Lispector consegue criar uma relação estreita e silenciosa com seus leitores e, felizmente, acho que o espetáculo conseguiu a mesma correspondência com o espectador", diz Beth.

A conversa começa pela obra da escritora que ''capturou'' a atriz muito cedo. "Eu fui aquele tipo de adolescente que ficava presa no quarto escrevendo e lendo. Tinha uma vida interna mais intensa que a externa. Perto do Coração Selvagem foi o primeiro livro da Clarice a me cair nas mãos e eu me identifiquei plenamente com a Joana adolescente, com aquela ebulição de quem olha o mundo e tenta descobrir sua identidade", diz ela. Não por acaso Joana tem lugar de destaque, única personagem da escritora a ganhar ''vida cênica'' em dois momentos do solo.

Beth conta que ao decidir pela criação desse trabalho, releu toda a obra de Clarice Lispector. A partir daí, escreveu o texto por meio do qual traz à cena a escritora, falando sobre si própria e sua obra, e mais quatro personagens, todas saídas das páginas escritas por Clarice. Qual o critério? "Segui minha intuição, como ela fazia. Ao fim, há quase uma divisão por temas", explica. Entre os claramente traçados estão o amor - próprio, por filhos ou marido, pelo ser humano ou pela natureza -, inquietações existenciais, processo criativo e desejo de transcendência.

De quebra, Beth ainda ficou muito parecida com Clarice Lispector. "Valorizei maçãs do rosto saltadas, olhos puxados. Mas não busquei semelhança absoluta, porque dificultaria a passagem para as personagens. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Simplesmente Eu, Clarice Lispector - Centro Cultural Banco do Brasil (Rua Álvares Penteado, 112). Tel. (011) 3113-3651. Sexta e sábado, 19h30; domingo, 18h. Até 20/6. R$ 15.

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