Beth Carvalho, no início

Fazia alguns anos que Beth Carvalho não ouvia seus primeiros registros fonográficos, dos anos 60. Como os discos não haviam sido lançados em CD, só os colecionadores atentos de vinis podiam desfrutar de delícias e raridades como as suas gravações de Namorinho ou Ponteio. Ela tinha por volta de 20 anos e voz de menina e não fazia ideia da consagração que a esperava.

Roberta Pennafort / RIO, O Estado de S.Paulo

12 de outubro de 2010 | 00h00

"Hoje estou muito mais amadurecida, mas gosto da voz daquela época, era limpa. Tenho muitos vídeos, gosto de assistir, já transferi tudo para DVD", conta Beth, por telefone.

Ela ainda soa abatida por conta do problema ósseo que a mantém refém desde o ano passado, mas está contente com o lançamento da caixa Primeiras Andanças - Os 10 Primeiros Anos (selo Discobertas). São cinco discos do catálogo da extinta gravadora Tapecar. Os dois primeiros são compilações de gravações feitas entre 1965 e 1973, com músicas defendidas em festivais de MPB, além do primeiro LP solo, Andança, de 1969.

Os outros três são seus primeiros álbuns de samba: Beth Carvalho, de 1973, tem Folhas Secas, com o próprio Nelson Cavaquinho ao violão; Prá Seu Governo, de 74, o grande sucesso 1.800 Colinas; Pandeiro e Violão, de 75, Onde Está a Honestidade.

Tudo foi ordenado cronologicamente, remasterizado e vem com ficha técnica. Esse início da década de 70 foi de consolidação da Beth sambista, associada à Mangueira, e à divulgação de novos compositores. "Fiz minhas escolas na base do instinto. Sempre convivi com o samba. Aos sete anos tinha decidido ser Mangueira. Quando vi Clementina de Jesus cantando, me emocionei muito, e decidi que seria sambista. Defini minha vida, parti para essa bandeira, que é muito gratificante", relembra Beth

O cabelo alisado na base da touca, comportado, usado na época em que se afinava com a bossa nova, logo se libertaria em cachos. As fotos que ilustram os encartes dos CDs da caixa e as capas originais dos LPs contam essa história. A trajetória é narrada também no texto superinformativo de Marcelo Fróes, pesquisador responsável pela caixa, a quem Beth recebeu em casa e mostrou sua memorabilia.

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