Bete Coelho

Depois de um tempo no papel de diretora, ela volta aos palcos em curtíssima temporada com a peça o terceiro sinal e planeja outras duas novas montagens

Maria Eugênia de Menezes, O Estado de S.Paulo

25 Julho 2010 | 00h00

Você disse que planeja uma temporada de O Homem da Tarja Preta na periferia. O que se pode fazer para que o teatro volte a ser popular?

A gente faz tudo dentro do circuitinho, queria movimentar esse padrão. Os teatros populares, os teatros das prefeituras, precisam ter condições de receber peças, porque geralmente não têm. Não têm refletor, não têm camarim. E existe também esse padrão - de gravar novela e vir aqui fazer teatro só no fim de semana - que é muito chato. O teatro encurtou muito. Sou de uma geração que se apresentava de segunda a segunda.

Mas você acha que a televisão pautou essa mudança?

Não sei o que começou primeiro. De qualquer maneira, as dificuldades de produção são imensas. Não se consegue pautar um teatro para ficar um ano, seis meses. Demora, às vezes, dois anos para levantar uma produção e depois faz uma temporada de dois meses.

Você fez novelas muitas vezes, mas continua identificada essencialmente como uma atriz de teatro. Por quê?

Existem algumas alternativas. Ou eu não faço televisão bem ou é o meu amor pelo teatro. O teatro me dá um cansaço que me revitaliza, que me faz virar madrugadas, ir atrás de coisas de produção. Essa identificação é um resultado disso, daquilo que a gente se propõe a fazer. E eu também não sei fazer outra coisa. Só posso fazer isso.

Sua história está ligada a grandes grupos. Você passou pelo CPT, ajudou a fundar a Ópera Seca, com Gerald Thomas. Por que sentiu a necessidade de criar essa nova companhia, BR 116?

Senti vontade de preservar as boas parcerias que construí. Uma das coisas raras em teatro é você encontrar um parceiro, alguém com quem você tem uma mesma linguagem, onde o jogo de vaidades está bem equilibrado.

Além do espetáculo que você estreou neste fim de semana, O Terceiro Sinal, existem outros projetos em andamento, não é?

Tem um Fausto sendo preparado?Compramos os direitos de um texto inédito no Brasil, Cartas de Amor para Stálin, de um grande dramaturgo espanhol, Juan Mayorga. E o Contardo Calligaris está preparando uma versão de Fausto, deve ser uma produção grande, com vários atores. Devo fazer o Mefisto.

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