Robert Galbraith/Reuters (06/01/2009)
Robert Galbraith/Reuters (06/01/2009)

Bennet à moda latina

Aos 86 anos, crooner volta ao Brasil para turnê e lança no dia 23 o disco Viva Duets, só com artistas latinos

Jotabê Medeiros, O Estado de S.Paulo

15 Outubro 2012 | 03h09

Quando um cara de talento incomensurável atinge certa idade, todos os pecados lhe deveriam ser perdoados. Em 2006, ao completar 80 anos, Anthony Dominick Benedetto, o Tony Bennett, gravou o seu primeiro disco de duetos convidando alguns amigos de diversas gerações para cantar consigo. Foi um sucesso estrondoso. Alguns anos depois, Bennett lançou o segundo disco de duetos, outro sucesso fabuloso - foi o álbum que registrou a última gravação de Amy Winehouse, e foi lindo.

Agora, Bennett está lançando o terceiro álbum de duetos, Viva Duets, o que já poderia parecer um abuso, não fosse ele Tony Bennett. Dessa vez, o artista faz uma reverência especial aos amigos latinos (incluindo as brasileiras Maria Gadú e Ana Carolina). Com 70 anos de carreira, esse ícone americano que serviu seu País na Segunda Guerra, que marchou com Martin Luther King durante a caminhada pelos direitos civis, que ganhou um Grammy pela obra da carreira (e outros 17 por álbuns), está de novo na estrada. Canta no Rio no dia 29 de novembro, e em São Paulo nos dias 1º e 2 de dezembro, no Via Funchal. O velho crooner, agora com 86 anos, falou ao Estado sobre a nova investida.

O sr. é amigo de João Gilberto. Por que não o incluiu num dueto?

Para mim, João Gilberto é o maior cantor de todos. É uma das grandes forças da música no mundo. Uma vez, eu vi uma plateia japonesa aplaudi-lo durante 10 minutos consecutivamente. Nunca tinha presenciado nada parecido. É a coisa mais refinada que a música possui. Certamente seria uma honra tê-lo no disco, mas ele é um artista muito ocupado, dificilmente teria tempo. Sua arte é muito disputada, eu sei que é um sonho talvez impossível.

O projeto do Duets 3 também chegou a anunciar que o brasileiro Roberto Carlos estaria no disco. O que aconteceu?

Não sei. De fato, ele estava previsto, mas parece que teve um problema em sua agenda de shows, não pode participar. Uma pena, porque é outro grande cantor, seria interessante fazer um dueto com ele.

O sr. gravou Blue Velvet, no disco anterior, com k.d.lang. E agora, a regravou com a brasileira Maria Gadú. Qual a diferença entre as duas cantoras?

Bom, as duas são muito poderosas. Mas Gadú canta em português, k.d. lang canta em inglês, são abordagens culturais diferentes. Gosto muito das duas versões.

O sr. pensa em convidar as duas cantoras de seu disco para participar do seu show?

Quem sabe? Isso não está previsto, mas se estiverem na cidade, se estiverem dispostas, se houver um jeito de ensaiar, tudo pode acontecer.

Muitos dos seus parceiros nesse disco são heróis da indústria, como Thalia ou Chayanne. Quando o sr. sabe que eles são dignos ou se têm competência para cantarem ao seu lado?

Cada um deles tem sua particularidade, seu estilo e sua repercussão entre o seu público. São artistas de grande fibra, todos com legiões de admiradores em seus países de origem, e também nos Estados Unidos. Não me decepcionei com nenhum deles, todos são talentosos e aplicados, e capazes de fazer sua própria interpretação dos standards. Acho que o artista latino hoje tem um lugar especial dentro da cultura americana, conquistado com garra e com legitimidade, então não vejo porque ignorar alguém só porque tem sucesso comercial. A música latina sempre me inspirou, sempre amei sua paixão, sua capacidade de criar harmonias e melodias. É um tributo à paixão.

O sr. doou US$ 100 mil para o pai de Amy Winehouse iniciar uma fundação na Inglaterra. O que o motivou a fazer isso?

Eu conheci Mitch e a filha dele, a maravilhosa Amy, e eu senti aquela tragédia. A ideia dele de investir tempo e esforços na criação de algo que pode ajudar a recuperar gente envolvida com drogas e álcool me tocou, achei que poderia ajudar de alguma forma. O dinheiro é o de menos, ele tem o meu apoio e a minha dedicação, sei que está fazendo um bom trabalho e vai ser bem sucedido.

Sua filha, Antonia, sempre canta na abertura dos seus shows.

Sim, não será diferente dessa vez. Antonia vai comigo, é uma luz na minha vida e eu aprecio seu talento e intensidade. Uma mulher especial, que encontrou seu caminho no mundo, fez sua carreira e sua vida pessoal com equilíbrio e dedicação. Sempre que puder, estará comigo.

Recentemente, o sr. cantou para o presidente Obama. Também já cantou para uma dezena de presidentes americanos. Qual o seu favorito?

Obama é um homem muito inteligente, determinado. Tenho grande orgulho do nosso país ter elegido um afro-americano para conduzi-lo, confiando nele para levar o país para fora de sua crise. É um homem de fibra. Mas o meu presidente preferido, entre todos para quem já cantei, foi Bill Clinton. Somos muito próximos.

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