Benedito Calixto, o pintor à beira-mar

Uma seleção de 20 pinturas deBenedito Calixto está subindo a serra para dar início àscomemorações dos 150 anos de nascimento daquele que é apontadocomo o mais brasileiro dos pintores oitocentistas e para marcaro lançamento em São Paulo do livro Benedito Calixto - UmPintor à Beira-Mar que, além de belas imagens de sua produção,reúne ensaios importantes para a compreensão de sua obra. Ainiciativa é da Fundação Benedito Calixto, que vem desenvolvendoum importante trabalho de pesquisa e catalogação da obra dopintor. Infelizmente, por questões de agenda do Jockey Clube deSão Paulo, sede da mostra, ela será de curtíssima duração. Sãoapenas quatro dias para ver obras importantes em sua trajetóriacomo um panorama de Santos em 1822 (há uma outra versão dessapaisagem na coleção do Museu Paulista, proprietário de 30 telasdo pintor, que está reproduzida no livro), quatro telas do portoda cidade litorânea assim como registros de seu centro históricoentre 1890 e 1910. Segundo Marli Nunes de Souza, que dirige a fundação, ofoco central da mostra é histórico. A seleção de obras, feitas apartir de critérios de conservação e importância dos trabalhos,privilegia o valor documental de Calixto, definido por TadeuChiarelli em texto do livro como um historiador que pinta. Emseu ensaio, Chiarelli não apenas procura traçar um panorama daprodução de Calixto, que realizou não apenas paisagens, mastambém se dedicou a pinturas históricas e, principalmente, àarte religiosa (tendo sido até mesmo agraciado pelo papa pelosserviços prestados à Igreja), mas o situa no contexto da época."A pintura como linguagem autônoma, como realidade plástica quese sobrepõe a qualquer narrativa nela contida, essa pinturaparece não ter feito parte dos interesses de Benedito Calixto",diz o historiador. Essa questão, no entanto, é polêmica. Considerado um dosmais importantes pintores paulistas do século 19, Calixto é, porexemplo, apontado por Ruth Sprung Tarasantchi em PintoresPaisagistas - São Paulo, 1890 a 1920 como um dos que maisconseguiram se afastar dos modelos da acadêmia francesa. Calixto aliás, suportou com dificuldade sua estada em Paris, ondeestudou na célebre Academia Julien, retornando antes decompletarem dois anos. Tendo nascido em 14 de outubro de 1853, Calixtocompletaria 150 anos em 2003. A idéia dos administradores de suafundação é realizar uma série de eventos daqui até lá, dentre osquais se destacam o lançamento de um CD-ROM com um levantamentoamplo de sua produção, uma exposição na sede, em Santos, e umamostra de seu trabalho em São Paulo. Antes mesmo de a agenda estar definida, essa mobilizaçãoem torno da obra de Calixto já tem rendido frutos. "Com adivulgação de que seria lançado um livro sobre ele, jádescobrimos uma família em Amparo que possui 11 quadros de suaautoria", exemplifica Marli. Até o momento já foram levantadas 700 obras de suaautoria, entre pinturas e desenhos, o que é considerado umaprodução consideravelmente grande. A título de curiosidade,convém lembrar que antes de obter reconhecimento como pintor,Calixto foi marceneiro, músico a até ajudou o vigário na IgrejaMatriz de Sant´Ana. Sua primeira exposição ocorre em 1881. Eleagradou à crítica, mas não vendeu um quadro, no entantorapidamente se torna um dos pintores do agrado da burguesiapaulista, que via nele, em Oscar Pereira da Silva, PedroAlexandrino e Almeida Jr. seus mais ilustres mestres dapintura.Serviço - Benedicto Calixto - Um Pintor à Beira-Mar. De quarta asexta, das 14 às 22 horas. Jockey Club de São Paulo. AvenidaLineu de Paula Machado, 1.263, tel. 3816-4011. Até sexta.

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