Bem além do pacifismo ingênuo

Em Um Mundo Melhor, de Susanne Bier, foi o vencedor do Oscar de de filme estrangeiro. Era mesmo favorito. Para compreendermos a sua força devemos lembrar que se trata de síntese da sofisticação de filme de tese e certo didatismo típico do cinema comercial.

Luiz Zanin Oricchio, O Estado de S.Paulo

11 de março de 2011 | 00h00

O que se vê são duas ações em paralelo. Numa, o foco é sobre o médico Anton, que passa longos períodos na África em trabalho humanitário. Na outra, seu filho, Elia, na Dinamarca, enfrenta problemas na escola, pois sofre nas mãos de colegas mais fortes. Por outro lado, a mulher de Anton, farta dos períodos de separação, está pedindo divórcio. Na escola, Elia conhece um colega bem mais disposto do que ele, Christian, que não hesita em resolver as coisas por meio da ação.

Na África, temos a esfera social, com tiranos e tiranetes oprimindo a população. Na Dinamarca, são casos de bullying, na microssociedade da escola. Há um contraponto aqui entre os casos coletivos e individuais e entre sociedades tidas como primitivas e outras consideradas evoluídas. Bier tentará, pela sua história, problematizar essas noções.

Os limites de Em Um Mundo Melhor são aqueles que em geral aparecem em filmes de tese. Percebe-se que algumas ideias, colocadas umas contra as outras, precedem a construção dramática da obra. Daí algumas passagens soarem artificiais. Mas esses impasses não atingem a discussão central: há casos em que a violência só pode ser combatida pela violência? Existe um uso legítimo da violência, ou ela é sempre má? A boa notícia é que a diretora tenta ir além de um pacifismo ingênuo e procura dar conta das complexidades do tema. Mesmo os conduzindo a impasses, o que é sempre melhor do que terminar por soluções fáceis.

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