BELO MUSICAL SILENCIOSO

NATIMORTO: Brasil, 2009. Direção de Paulo Machline. Canal Brasil, às 18h30. Rep., colorido, 100 min.

LUIZ CARLOS MERTEN, O Estado de S.Paulo

06 de novembro de 2011 | 03h07

Paulo Machline e Lourenço Mutarelli já haviam dado a medida de seus respectivos talentos. O primeiro foi indicado para o Oscar de curta documentário por sua História de Futebol, sobre a amizade que o garoto Pelé desenvolve com outro menino. O segundo, além do autor complexo que é, mostrou que podia ser ator, e bom, em O Cheiro do Ralo, que Heitor Dhalia adaptou de seu livro. Machline também adaptou 'seu' Mutarelli, e é Natimorto, cujo subtítulo, vale lembrar, é Um Musical Silencioso.

O livro, como o filme, é sobre esse sujeito obsessivo, um caça-talentos que descobre cantora de ópera. Ela tem a voz mais bela do mundo, que o diretor nos poupa de ouvir. O caçador de talentos, o próprio Mutarelli, convence a cantora, Simone Spoladore, a se trancar com ele num quarto. Ele busca o absoluto, a beleza. Fuma compulsivamente e transforma as advertências do Ministério da Saúde nos maços de cigarros em cartas de tarô, nas quais a morte está sempre em pauta.

Bem elaborado por seu visual, Natimorto beneficia-se do elenco. Mutarelli não só entende como expressa o personagem que criou. É minimalista, sabe que menos pode ser atalho para o mais. Simone, talvez a melhor atriz de sua geração, brinda o público com nu frontal, mas o espectador se arrisca a nem ver, porque estará galvanizado pela crispação de seus gestos e intensidade do olhar. A parceria Machline/Mutarelli deu certo, mas, como o escritor é polêmico, muita gente ser sentirá incomodada e até coisa pior. Essas pessoas têm direito de não gostar, claro. Nós, que gostamos, amamos.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.