Belgas compram o cabaré parisiense Crazy Horse

Investidores belgas compraram o mítico cabaré parisiense Crazy Horse e prometeram continuar "honrando com refinamento o nu feminino", elevado à expressão artística pelo fundador da casa, Alain Bernardin.Os três filhos de Bernardin anunciaram nesta segunda-feira a venda do cabaré para Philippe Lhomme e Yannick Kalantarian. Philippe Lhomme atua sobretudo no campo da comunicação e dos meios de comunicação na Europa, com Canal+ Bélgica/Polônia e Carat Benelux, e Kalantarian é produtor de espetáculos.O Crazy Horse, que fica na avenida George V, próximo ao Champs-Elysées, foi criado em 1951 por Bernardin, que tornou o cabaré uma das atrações obrigatórias da noite parisiense, reconhecido pela beleza de suas dançarinas nuas e pelos espetáculos grandiosos.Gerações de dançarinas, selecionadas no mundo inteiro segundo critérios draconianos, sucederam-se no pequeno palco do Crazy Horse, deixando para trás o strip-tease original. Bernardin, que se suicidou em 1994, inventou "a arte do nu elegante e refinado": o corpo das dançarinas é enfeitado com bolas, estrelas ou listras, "numa homenagem artística e poética à beleza feminina".Inscrito no movimento dos "Novos realistas", em que se destacavam os estilistas Paco Rabanne, Pierre Cardin e Courrèges, Bernardin acreditava que o corpo da mulher era "o suporte ideal para apresentar o teatro do mundo". Apesar da sua morte, a alma do Crazy Horse permaneceu intacta, com códigos artísticos milimetrados.Os filhos de Bernardin comprometeram-se a "acompanhar de perto", durante alguns meses, o trabalho dos novos proprietários, "para garantir uma transição tranqüila e ajudar os projetos de desenvolvimento". "Não haverá nenhuma mudança. Seremos os guardiães do templo, respeitando o espírito de Alain Bernardin", afirmou Kalantarian. "O Crazy Horse é, sobretudo, um conceito. Estaremos vigilantes. A equipe continuará a mesma, pois após 50 anos de sucesso, seria um grave erro fazer alguma mudança", acrescentou.Didier Bernardin explicou que, juntamente com os irmãos, decidiu que "era hora de entregar as rédeas, para o esplendor do nome e do conceito do Crazy House". Uma cláusula de confidencialidade impede que o valor da transação seja divulgado.Em 2001, foi inaugurado um segundo Crazy Horse, na cidade americana de Las Vegas, em associação com o grupo MGM Mirage, e a abertura de um terceiro cabaré está prevista para o fim do ano, em Cingapura, confirmaram os novos donos, que se comprometeram a "não abrir franquias do tipo McDonald´s, e sim defender a qualidade do ´French Touch´".

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