Daniel Teixeira/AE
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Bel Kowarick fala de seu trabalho de protagonista de 'Dueto para Um'

Intérprete é vencedora do prêmio APCA de melhor atriz 2010 e indicada para o Shell de 2011

Maria Eugênia de Menezes, O Estado de S.Paulo

13 de fevereiro de 2011 | 00h00

A peça Dueto para Um trata de um tema difícil. Uma mulher que está perdendo o seu lugar como artista, como violinista, e sofrendo com uma esclerose múltipla. O que lhe interessou especificamente nessa obra?

Não tenho nenhum interesse específico pela doença, pela esclerose múltipla. Nem acho que a peça seja sobre isso, ainda que trate dessa questão. Na verdade, o que me interessa é o amor dessa mulher pelo seu ofício. Acho que são os grandes artistas - os grandes escritores, pintores, músicos - os responsáveis pelas grandes transformações do mundo. São esses artistas que têm uma relação com o seu trabalho como a que essa personagem tem, uma relação em que não se percebe diferença entre o seu ofício e aquilo que ela é.

A montagem deve ficar em cartaz até o fim do mês. Depois, quais são os seus planos? A peça deve continuar?

Temos planos de viajar por algumas cidades e ficar com ela em cartaz ao longo deste ano. Ainda me surpreende o fato de esse espetáculo fazer sucesso. É uma peça só de texto, sem ação, e que está longe de ser uma comédia. Quando estreamos, não esperávamos por essa repercussão com o público nem com a crítica. Tínhamos até receio das pessoas acharem o tema muito pesado e não quererem ir.

Além de atuar você também é produtora da peça. Por que montar esse texto? Você já tinha produzido antes?

Já tinha trabalhado na produção de outros espetáculos. Mas nunca desse jeito. Agora, é diferente. Desta vez, comprei os direitos do texto e é a primeira vez que me vejo como a dona de um projeto, a idealizadora.

Você tem uma trajetória ligada ao teatro de grupo - ao lado dos Argonautas e da Cia. de Teatro em Quadrinhos. Essa peça representa uma mudança de rumo? Você tem vontade de voltar aos processos de criação coletiva?

Hoje não quero fazer processo nem mergulhar em um trabalho de pesquisa coletiva. Admiro. Acho fundamental. Sei que é isso que transforma o teatro. Mas, neste momento, depois de encerrar esta temporada, gostaria de fazer outra peça. Pegar um texto e me concentrar ali. Eu gostei disso. Tudo o que está no palco nesse espetáculo veio do texto. Ninguém teve nenhuma ideia mirabolante.

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