Béjart Ballet participa de comemoração

Projeto do novo Teatro Cultura Artística aposta na integração com a Praça Roosevelt

JOÃO LUIZ SAMPAIO, O Estado de S.Paulo

27 de setembro de 2012 | 03h08

Realizado na última semana de setembro de 1912, o primeiro sarau da Sociedade de Cultura Artística teve como tema as obras de Raimundo Correia e Álvares de Azevedo, além da apresentação de peças para piano e canções. Com o tempo, o teatro de prosa, a ópera e a música sinfônica ganharam espaço, atraindo não apenas os mais importantes artistas brasileiros, como estrelas do cenário internacional. "Como chegamos aos 100 anos? De olho no retrovisor, mas com um belo para-brisas à nossa frente", diz Pedro Herz. "Temos uma instituição sólida e é isso que nos permite pensar em formas de nos modernizar."

Nesse sentido, o novo teatro é fundamental. "Não apenas porque será capaz de abrigar espetáculos que antes não cabiam no espaço, como óperas, balés e musicais. Mas porque vamos fazer dele um verdadeiro centro cultural, que permitirá investimentos maiores na nossa missão educativa, tornando-se uma referência para toda a cidade e dialogando com grupos como os Satyros ou os Parlapatões, que desenvolvem um excelente trabalho na Praça Roosevelt." Por conta disso, no fim de semana, quando a praça será reinaugurada, uma pequena cerimônia vai firmar a integração do novo Teatro Cultura Artística com a praça.

Paulo Bruna teve isso em mente ao reformatar o projeto, apresentado inicialmente em 2009. No espaço anteriormente ocupado pela boate Kilt, de frente para a praça, será criada uma rotatória de acesso ao teatro. "Isso nos permitiu adicionar ao projeto uma espécie de 'subpalco', um espaço sob o palco principal onde poderão entrar caminhões e contêineres de cenários e instrumentos, por exemplo."

Com a elevação do palco principal, outras configurações do projeto foram alteradas. "Quando decidimos elevar o palco e a plateia, acabamos por criar, além deste subpalco, um novo e enorme foyer, que oferecerá maior possibilidade de deslocamento e convívio durante os intervalos, com um bar maior, coisas que não existiam no foyer do prédio antigo", explica. Ele garante, porém, que tanto no térreo como no primeiro nível, os foyers antigos continuarão a ter importância. "O do primeiro nível, por exemplo, será o caminho de acesso à plateia."

A sala de espetáculos em si, que antes era perpendicular à rua, agora será paralela, com o palco apontando na direção da praça. "O palco antigo, por uma questão de espaço, ficava um pouco desajeitado, era um triângulo no fundo do terreno. Agora, terá 24 metros de profundidade e 28 metros de altura, com maior área para camarins. Já o público, anteriormente espalhado em formato de leque, será dividido entre a plateia e dois balcões."

Segundo Bruna, o projeto está sendo finalizado e em seguida começam os cálculos de engenharia. O projeto final, assim, deverá estar pronto no começo de 2013. Segundo Herz, a Sociedade de Cultura Artística trabalha com um orçamento inicial na casa dos R$ 90 milhões. Até agora, foram captados R$ 30 milhões, o necessário para iniciar os trabalhos. "Somos uma entidade sem fins lucrativos e contamos com doações e patrocínios para a obra", explica. "Nosso objetivo agora é mostrar que esta é uma época de plantio e que a colheita será recompensadora."

Enquanto o novo teatro não fica pronto, Herz conta que estão no horizonte da entidade objetivos como a ampliação dos projetos educacionais, entre eles a série Ouvir para Crescer, que promove concertos didáticos pelo interior de São Paulo e já chegou ao Rio. "Eu penso alto. Por que não sonhar com uma atuação em todo o País da Cultura Artística, utilizando espaços que, por diversos motivos, carecem de programação?", diz. "O incêndio foi um trauma, uma tristeza enorme. Mas, alguns anos depois, vemos que ele nos fez pensar em maneiras de nos reposicionar perante a sociedade", diz Gérald Perret, superintendente da entidade. "Este pode ser um momento muito positivo."

O retorno da Béjart Ballet Lausanne, que não passava pelo Brasil há 12 anos, marca as comemorações do centenário da Sociedade de Cultura Artística.

Criada por Maurice Béjart, grande coreógrafo francês morto em 2007, a companhia vai apresentar, a partir de hoje, três coreografias no Teatro Municipal (Pça. Ramos de Azevedo, s/nº. Preço: de R$ 390 a R$ 150. Até domingo).

As peças são clássicos do repertório: Ce Que L'Amour Me Dit, Cantate 51 e Boléro, a partir de obras de Gustav Mahler, Johann Sebastian Bach e Maurice Ravel.

Dirigido hoje por Gil Roman, sucessor escolhido pelo próprio Béjart, o grupo que tem sede na Suíça conta com 39 bailarinos de 15 nacionalidades.

Além de reeditar coreografias famosas de Béjart, o atual diretor também tem investido na criação de obras inéditas.

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