Beijo do gordinho

Mais magro, Jô Soares inaugura amanhã seu 13.º ano de talk show na Globo, com bar no cenário

Cristina Padiglione, O Estado de S.Paulo

11 de março de 2012 | 03h14

Terça-feira, 16h30, Avenida Chucri Zaidan, 142, Brooklin, São Paulo. Estamos na nova sala de produção do talk show que já pode ser tratado como o mais duradouro da TV brasileira - em agosto, serão 24 anos de vida, contando 11 anos iniciais no SBT de Silvio Santos. A jornalista do Estado aqui signatária é a única visitante da ocasião, quando a equipe, com a presença do apresentador à cabeceira de uma larga mesa cercada por prateleiras de livros, espadas samurai e belas miniaturas de aviões, discute detalhes do novo velho programa, digo, da nova temporada do tradicional Programa do Jô, que começa amanhã, na Globo.

Jô vai logo descartando a necessidade de grandes mudanças, mas algum frescor é sempre bem-vindo, "algumas ideias a gente vai experimentando", fala. O cenário será brindado com um bar maior, que passa a ser uma opção a mais para entrevistar os convidados. Mais que isso, uma troca no tampo de vidro da mesa e olhe lá. No quesito conteúdo, vontade que já o cutucava desde o ano passado, Jô traz de volta as Meninas do Jô, com um programa inteiro dividido entre ele e as jornalistas Lillian Witte Fibe, Christiana Lobo, Lúcia Hipólito e Ana Maria Tahan. Lá vem política, mas vem até quando puder. "Vamos falar de eleições, claro, mas até quando a legislação permitir", explica o apresentador.

"Você tinha emagrecido 25 quilos até sair de férias, mas agora está ainda mais magro, não?", pergunto-lhe. "Talvez um pouco mais, talvez agora eu tenha chegado a uns 27 quilos menos", arrisca ele, exibindo, feliz, os suspensórios de bombeiro que comprou em Nova York.

Produtora do programa, Anne Porlan comemora o novo espaço da produção, que soma 20 pessoas, fora o pessoal da técnica: "Agora temos janelas", diz. O território anterior era um pouco menor que o atual, sem vista externa. "É uma estrutura enxuta para um programa diário", explica ela, apresentando a sala de cada um e a extensa mesa da produção. A comparar com a precariedade de outros canais e com o próprio passado de Jô, no SBT, a estrutura é de Primeiro Mundo. "A outra sala aqui já era assim, era só um pouco menor", reforça Jô, lembrando, com humor, dos tempos em que os convidados precisavam pular verdadeiros diques no antigo endereço do SBT, na Vila Guilherme, alvo fácil de enchentes, 20 anos atrás.

Para fazer jus à luz externa, Jô quer aproveitar o fim de tarde para gravar logo uma chamada anunciando sua volta ao ar. Com um botão de rosa na mão, faz o texto de pronto. Permite-se dirigir o percurso percorrido pela lente do câmera e já vai se desculpando pela "intromissão", no que é imediatamente absolvido pelo profissional com um camarada "o que é isso, Jô, imagina!"

Na lista de convidados que devem nova visita ao programa consta o nome de Dilma Rousseff, que lá esteve uma vez, mas não como presidente. "Ela justificou que daria entrevista antes para as mulheres, e eu disse: 'Tudo bem, eu posso me vestir de Norminha', não é?", brinca Jô. Chico Buarque, que só compareceu nos idos de SBT, é outro alvo. "São amigos que vêm quando dá certo."

Diretor executivo do talk show desde seu primeiro mês, no SBT, e alçado ao posto de diretor-geral na Globo, Willem van Weerelt abraça os detalhes como se estivesse no ar. Vai até o switch para testar como usará o recurso de touch screen do iPad para ampliar fotos a serem exibidas durante o programa. "Você está no ar", alerta o diretor ao produtor, para definir em que momento o close da imagem será cortado. No estúdio, manda conferir se a mesa das Meninas do Jô está ok. "Veja se tem alguma coisa lascada, se precisa de reparo", avisa.

À percepção de que todo auditório ao vivo parece menor que na tela, Willem nos mostra a imagem na câmera grande angular a promover tal efeito. Do outro lado, músicos do Sexteto testam instrumentos e figurino.

Já na sexta-feira, a produção tinha confirmada para amanhã a gravação de entrevistas com o ator Rodrigo Lombardi, o neurocirurgião Paulo Niemeyer e o escritor Bruno Azevedo.

De SBT para Globo, da enchente para os carpetes impecáveis, o que não mudou, em 20 e poucos anos, foi o alto número de pedidos de músicos para participar do programa, e uma canja ali já basta para acelerar a venda de shows. O Programa do Jô também continua sendo garantia certa de vendagem para a primeira edição de qualquer livro ali apresentado. "Isso pra mim é uma satisfação", orgulha-se Jô, agora um gordo menos gordo. Um gordo gordinho, vá lá.

SÃO CERCA DE 14 MIL CONVIDADOS, COM 2.409 EDIÇÕES NO SBT E 2.567 NA GLOBO

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