"Beatles Anthology" é fenômeno nos EUA

Os fãs reclamaram que o volume não inclui muitas novidades, mas o recém-lançado Beatles Anthology virou sucesso instantâneo no mercado literário dos Estados Unidos. O livro, que promete ser a "história definitiva do grupo", tem pouco a acrescentar à trajetória do quarteto, mas está em todas as listas de mais vendidos do país, passando a perna no novo livro de Stephen King, On Writing: A Memoir of the Craft. Nada mal, considerando-se que outros 14 títulos sobre os Beatles chegam ao mercado até o fim do ano.O projeto Anthology começou em 1996, com uma série de especiais de TV que misturava imagens de arquivo com entrevistas recentes feitas com Paul McCartney, Ringo Starr, George Harrison Yoko Ono e Phil Spector, entre outros. As fitas com a íntegra dos programas estão disponíveis no mercado há vários anos. O projeto incluiu também os CDs de mesmo nome, com as faixas inéditas Free as a Bird e Real People.Anthology, o livro, tem 350 páginas que praticamente apenas transcrevem os programas de TV. Cerca de 90% do que aparece lá já foi também revelado em outros livros sobre o grupo ou em entrevistas. O tom de "história oficial" também deixa pouco espaço para afirmações polêmicas - que aparecem, por exemplo, no recém lançado Lennon Remembers: The Rolling Stone Interviews em que John deixa transparecer várias facetas de sua personalidade.É claro que nada disso preveniu os fãs de pagar US$ 60 pelo livro, que saiu com uma tiragem inicial de 300 mil unidades (um número considerado grande para um volume com dimensões e preço de um título de arte), ainda mais em plena época de revival dos Beatles. Embora o grupo tenha sempre continuado a fazer sucesso nos últimos 30 anos, a comemoração do que seriam os 60 anos de Lennon, relançamentos, leilões, inaugurações de museus, exposições de Yoko Ono e outros eventos têm feito do ano 2000 uma espécie de "ano Beatles".Entre as poucas passagens mais quentes de Anthology está a polêmica sobre quem introduziu a maconha aos Beatles. Enquanto Lennon e McCartney dizem que foi Bob Dylan (citado como grande influência à música deles), os outros alegam que foi o baterista de um outro grupo de Liverpool. Mc Cartney também fala que os Rolling Stones "sempre copiaram os Beatles".Há também o registro de um pouco conhecido show que Lennon e McCartneuy fizeram como uma dupla em 1960, sob o nome de The Nerk Twins, em um bar chamado The Fox and Hounds, em Reading, na Inglaterra. Outra novidade é uma carta que McCartney escreveu para o empresário do grupo, Allen Klein, reclamando da intervenção de Phil Spector em The Long and Winding Road. "No futuro, não quero ninguém interferindo em minhas músicas sem autorização", diz o documento. Era o começo do fim.Os ex-Beatles também falam sobre o influência de Yoko Ono na banda. "John tinha que tê-la no estúdio e isso era desanimador", diz McCartney. Harrison vai mais longe. "Ela não gostava da gente porque os Beatles ameaçavam o relacionamento dela com John", diz. "Minha sensação é de que ela era uma faca tentando penetrar cada vez mais fundo entre nós. E foi o que ela fez." A viúva, que colaborou no álbum, não fez comentários sobre as declarações dos músicos.

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