BBB6: mesmo com falha na escolha do elenco, boa audiência

Camaradagem falsa e falta de conflitos na casa devem ter se decepcionado quem esperava que a onda de reality shows desse sinais de fraqueza progressiva. Essa praga que invade o vídeo da televisão de muitos países aparenta uma resistência inesgotável. Indício dessa tendência é o Big Brother Brasil - na sexta edição - que continua rendendo uma audiência importante e tem lhe garantido a vice-liderança da programação nas últimas semanas. O programa registra mais de 40 pontos de média no Ibope (Grande São Paulo e Grande Rio) e, em dias de eliminação, chega a bater nos 46. É incrível e por isso o programa não deixa de ser um grande fenômeno, especialmente se for levado em conta a composição dos moradores da casa BBB: a mais desinteressante desde o surgimento desse reality show. A falta de repercussão do programa é sintoma da total ausência de glamour do elenco e da nulidade dos conflitos. Ao contrário de outras edições, em que personagens da casa pulavam para outros programas da Globo - Bambam, Solange (a que pensava que cantava em inglês, até participou do Casseta & Planeta Urgente!), a pernambucana Pink (que até ganhou uma vaga no Zorra Total), por exemplo -, o BBB6 reuniu um elenco que tem o carisma de um peixe defumado. Além disso (ou talvez por isso mesmo), é fraco até no quesito intriga que, convenhamos, sempre apimenta um pouco a vida e esquenta a torcida do telespectador. Uma pesquisa feita pela internet e mencionada em reportagem publicada na edição do Estadão de anteontem comprova a tese: 46% dos 1.100 entrevistados acham o BBB6 pior do que os anteriores e creditam isso à fraqueza do elenco. Como nada é isolado, essa pasmaceira deve ser a responsável pela apática performance de Pedro Bial. Historicamente o mais animado de todos, Bial já não consegue ser convincente no espírito de chefe de torcida que ostenta desde o início da série. Bial parece não ser o único a ser desenergizado pela trupe que mora, come e dorme à custa da Globo nesta temporada. A falta de sal dos inquilinos da casa anda desanimando até a produção do BBB a brincar com a personalidade dos participantes (como os grupos de super-heróis, que incluíram Kid Pamonha, Mulher Capacho, Homem-Maravilha na última temporada). Criar em cima do sofrível é difícil até para quem faz televisão. Os que disputam o milhão e um lugar ao sol no show biz - é consenso que entrar para o rol das celebridades instantâneas tem o mesmo peso do prêmio em dinheiro - são tão medíocres que chega a ser surpreendente até que tenham passado pela peneira que, segundo a emissora, recebe milhares de candidatos. Ao contrário da babá Cida, os pobres Agostinho e Mara não se colocam em nenhum momento, vivendo a reboque do resto do grupo. As idéias expostas pelo grupo classe média - formado pelos sarados Iran e Marina, o ex-monge Gustavo e pelo professor de matemática Rafael - têm a profundidade de um pires. O gozado é que eles se levam a sério e inventaram uma camaradagem (falsa, claro) que camufla os conflitos, tornando a vida diante do vídeo tão entediante quanto a vivida dentro da casa BBB6. Diante desse quadro, o fenômeno é o Big Brother Brasil 6 registrar uma audiência tão grande. Ou será falta de opção melhor no horário?

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