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Batman 80 - A Exposição fica no Memorial da América Latina até o dia 15 de dezembro de 2019 Felipe Rau/Estadão

'Batman 80': Exposição conta uma história dos 80 anos do personagem

Mostra fica no Memorial da América Latina, em São Paulo, até o dia 15 de dezembro de 2019; estão à mostra objetos como gibis, carros, action figures, bonecos de lata, jogos portáteis, miniaturas, cartões e réplicas

Guilherme Sobota, O Estado de S. Paulo

04 de setembro de 2019 | 07h00

São Paulo sempre teve um toque de Gotham City — mas a partir desta quinta-feira, 5, o encontro entre as duas cidades tem endereço marcado: o Memorial da América Latina recebe Batman 80 – A Exposição, mostra inédita com mais de 500 itens raros do universo do homem morcego e cenografia dedicada dos principais espaços referentes ao personagem. 

Em 2019, Batman completa 80 anos de sua primeira aparição. Foi na revista Detective Comics 27 (publicada nos EUA pela DC), numa história de oito páginas (O Caso do Sindicato dos Químicos), com roteiro de Bill Finger e desenhos de Bob Kane. De lá para cá, não é exagero dizer que o personagem passou a habitar o imaginário da cultura popular ocidental, espraiando sua presença dos quadrinhos para a televisão, o cinema, os videogames, a música e qualquer outra plataforma imaginável.

Batman 80 – A Exposição fica no Memorial até o dia 15 de dezembro de 2019, e os ingressos custam R$ 35 de terça a sexta-feira, e R$ 45 aos sábados, domingos e feriados (com direito à meia-entrada). Ingressos com hora marcada podem ser adquiridos no site batman80expo.com.br. A mostra funciona de 12h às 21h nos dias de semana, e das 10h às 21h sábados e domingos.

A exposição é fruto de duas coleções: a de Ivan Freitas da Costa, curador da mostra e sócio-fundador da CCXP e da Chiaroscuro Studios, e a de Marcio Escoteiro, advogado carioca reconhecido como maior colecionador de Batman do Brasil e um dos maiores do mundo (são 7 mil itens na sua casa na Tijuca e em depósitos no Rio, e cerca de 1% deles estão agora no Memorial). 

Carros de outros colecionadores (uma versão do Batmóvel de Tim Burton circulou por São Paulo no último fim de semana) e uma cenografia desenvolvida pela produtora Caselúdico (a mesma das exposições de Castelo Rá-Tim-Bum, Tim Burton, e Quadrinhos, no MIS) completam a mostra.

Os itens são variados. O mais antigo gibi é a Detective Comics Vol 1 34, de dezembro de 1939, a oitava aparição do Batman nos quadrinhos. A primeira vez do herói no Brasil foi na revista O Lobinho #7, publicada em 1940 pela editora Grande Consórcio de Suplementos Nacionais, de Adolfo Aizen (1907-1991) — um dos exemplares está na exposição.

A primeira memorabilia oficial lançada pela DC, em 1944, um conjunto de “transfers” (adesivos para colar desenhos em outras superfícies): também na exposição. Colecionáveis de todo o tipo estão espalhados pelas salas: action figures, bonecos de lata, jogos portáteis, carros em miniatura, cartões, réplicas, etc.

Outro destaque, aponta o curador, é a narrativa que a cenografia da exposição constrói. O visitante entra, primeiro, numa versão da Mansão Wayne, onde é recebido pela enorme mesa de jantar de Bruce (o cardápio é lagosta), e onde diversos gibis estão à mostra. Em seguida, ele se move para a Bat Caverna, em que displays em vídeo exibem as diversas encarnações do Batman na TV e no cinema. 

A próxima sala é um corredor em que a história dos aliados do homem morcego é contada, e logo depois, o visitante adentra a delegacia de Gotham: um painel interativo permite explorar os principais nomes envolvidos no desenvolvimento do personagem nas páginas, dos criadores a Frank Miller e Neal Adams.

Então, o Asilo Arkham explora a diversidade de muitos vilões do Batman, dos mais conhecidos Pinguim, Sr. Frio e Bane, até personagens como Vagalume, Espantalho e Ventríloquo. Mulher-Gato, Harlequina e Coringa (tema do próximo filme do universo do herói, com estreia marcada para 3 de outubro) têm salas separadas.

Alguns dos itens preferidos de Ivan Costa na exposição são, talvez, suas artes originais, autografadas por artistas importantes — quadros que ele pendura na parede de sua casa, agora cedidos à mostra. “Uma revista pode ter centenas de milhares de exemplares, um colecionável tem alguns milhares… uma arte original, porém, é apenas uma”, comenta. “Tem a ver com o processo de criação das histórias em quadrinhos e é um tipo de coisa que pouca gente tem acesso.”

O curador destaca também os itens acessíveis da exposição: painéis em braile e estátuas manuseáveis estão disponíveis pela mostra, e uma área é dedicada a pessoas com deficiência visual e auditiva. Uma loja oficial e uma praça de alimentação cenografada também foram montadas no local. "É uma exposição para toda a família mesmo", garante o curador.

Marcio Escoteiro: o maior colecionador de Batman do Brasil

Essa é a primeira exposição do Batman a que Marcio Escoteiro disponibiliza sua coleção (alguns itens, diferentes, já haviam sido expostos na mostra Quadrinhos, do MIS São Paulo). “Nunca senti que havia segurança suficiente, mas com o Ivan isso aconteceu”, explica.

Escoteiro se apaixonou primeiro pelo homem morcego aos 6 anos de idade, com revistinhas de Neal Adams (artista que estará na Comic Con Experience em São Paulo, em dezembro). A paixão foi renovada com o Cavaleiro das Trevas de Frank Miller durante sua adolescência. Com o filme de Tim Burton em 1989, no cinquentenário do personagem, decidiu se tornar colecionador profissional.

“Hoje em dia tenho uma rede de colecionadores, informantes e ‘dealers’, que me dizem quando um novo item está disponível”, explica. 

Ele prevê que alguns visitantes podem considerar as revistas expostas “gastas ou danificadas”, mas o motivo é simples: muitas delas são as revistas que ele mesmo comprou para ler ao longo dos anos.

“Mas o mais importante nisso tudo é que também faço amizades por meio do Batman”, diz. “Quando um amigo me dá de presente um item que eu já tenho na coleção, substituo, porque esse é mais importante do que aquele eu já tinha. O que fica disso tudo para mim é o valor das amizades.”

Serviço: Batman 80 – A Exposição

Data: de 5 de setembro a 15 de dezembro de 2019

Local: Memorial da América Latina | Espaço Multiuso | Portões 8, 9 e 13. Avenida Auro Soares de Moura Andrade, 664, São Paulo, SP, 01156-001. Estação Barra Funda do Metrô.

Horários: Terça a Sexta, das 12h às 21h. Sábados, Domingos e Feriados: das 10h às 21h

Ingressos: Terça a Sexta: R$ 35,00 inteira e R$ 17,50 meia. Sábados, Domingos e Feriados: R$ 45,00 inteira e R$ 22,50 meia

Veja o Batmóvel pelas ruas de São Paulo:

 

 

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De Adam West a Christian Bale: relembre os atores que viveram Batman no cinema e TV

Desde o primeiro homem-morcego na clássica série de TV, o herói chegou renovado no combate com Superman

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

04 de setembro de 2019 | 09h00

O primeiro Batman a gente não esquece - Adam West estrelou a série de TV e o filme de Leslie H. Martinson, de 1966. No Dicionário de Cinema, Jean Tulard é duro. Diz que Martinson não está à altura de seus heróis, John F. Kennedy (em PT 109) e Batman. Mas é possível divertir-se com o Homem-Morcego. Se não inventou, Martinson pratica alegremente o camp. 

Naquela época, Hollywood não tinha meias medidas e Batman, de cara, enfrentava seus maiores inimigos, os vilões Coringa, Charada, Pinguim e Mulher-Gato. Como nos quadrinhos, Martinson não se vexava de enxertar balões e todas aquelas expressões que indicavam que o herói – e Robin/Burt Ward – estavam dando ou tomando porrada.

Passaram-se mais de 20 anos até que, em 1989, Tim Burton fez o seu Batman. Michael Keaton e Jack Nicholson como vilão, o Coringa. Difícil saber quem era mais louco. Burton nunca teve ilusões quanto ao seu 'herói'. Que tipo de gente se prestaria a usar aquela fantasia? Se não era louco de pedra, como o Coringa, Batman não era normal. Mas, afinal, de perto quem é? Keaton viveu mais uma vez como Batman e sob a direção de Burton. Danny De Vito fazia o Pinguim e Michelle Pfeiffer a Mulher Gato.

O terceiro Homem-Morcego dessa fase teve Burton somente como produtror e Joel Schumacher como diretor. O filme era Batman Eternamente. Val Kilmer vestia a fantasia, Jim Carrey era o Coringa e Tommy Lee Jones, Duas Caras. Nicole Kidman fazia uma médica – psicóloga – atraída pela natureza dual do herói. Batman, afinal, também é Bruce Wayne. Schumacher dirigiu mais uma 'instalação', como dizem os norte-americanos.

Batman e Robin, com Chris O'Donnell como parceiro do herói e Alicia Silverstone como Batgirl. George Clooney era o Homem-Morcego. Batman e Robin tinham Uma Thurman como Poison Ivy e Arnold Schwarzenegger, como Mr. Freeze. A bilheteria ficou muito abaixo do esperado e a Warner arquivou o Homem-Morcego. Por um tempo.

Em 2005, começou nova era, e Christopher Nolan repaginou o personagem para a interpretação de Christian Bale em Batman Begins. Três anos depois, a dupla foi ainda mais longe com Batman – O Cavaleiro das Trevas. Os blockbusters atingiram o patamar do filme de arte. Obras-primas, no plural.

Em 2016, Zach Snyder iniciou nova fase – Batman Vs. Superman, com Henry Cavill como Homem de Aço e Ben Affleck como Homem-Morcego. Em 2017, ambos os atores retomaram os papéis em Liga da Justiça. O que você vai ler agora é controverso, mas expressa a opinião do repórter. Nunca houve um ator tão grande de blockbusters como Henry Cavill na pele de Superman, mas Christian Bale foi o melhor Batman. Reveja os filmes, para conferir.

 

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Batman: Todos os filmes, do melhor ao pior (segundo os leitores)

Participe da lista interativa para ajudar a escolher o melhor filme do Homem-Morcego desde o clássico de Tim Burton de 1989

Redação, O Estado de S. Paulo

04 de setembro de 2019 | 07h00

Presença constante também no cinema desde 1989, Batman completa em 2019 80 anos da sua primeira aparição nos quadrinhos. Uma exposição em São Paulo celebra a data para os moradores da capital paulista, mas os filmes do herói já chegaram aos rincões mais afastados das metrópoles.

Por isso, é justo convidar os leitores e fãs do Homem-Morcego a escolherem, na lista interativa a seguir, qual o melhor filme do Batman de todos os tempos (veja os trailers abaixo para relembrar cada um deles).

 

 

Batman (1989)

Batman: O Retorno (1992)

Batman Eternamente (1995)

Batman & Robin (1997)

Batman Begins (2005)

Batman: O Cavaleiro das Trevas (2008)

Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge (2012)

Batman vs Superman: A Origem da Justiça (2016)

Liga da Justiça (2017)

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​Batman completa 80 anos; relembre as principais fases do herói

Personagem influenciou a história da cultura pop com versões nos quadrinhos, no cinema, na TV e nos games

André Cáceres, O Estado de S.Paulo

29 de março de 2019 | 15h29

Socialites endinheirados que se mascaravam para combater o crime eram uma verdadeira febre nos quadrinhos do final da década de 1930. A Lady Luck, de Will Eisner, e a Ms. Fury, de June Mills, foram dois exemplos de personagens assim. Mas o justiceiro proveniente da high society que mais se destacou foi o Batman, criação de Bob Kane e Bill Finger que completa 80 anos este mês. 

Destaque da 27ª edição da revista Detective Comics, o homem-morcego foi o protagonista de uma história despretenciosa, O Caso do Sindicato dos Químicos, e seus criadores certamente não esperavam que ele se tornasse um dos principais ícones da cultura pop, com uma influência que se espalha para além dos quadrinhos de heróis, espraiando-se pela televisão, cinema, games e todo tipo de mídia.

Este mês, a DC Comics comemora a publicação da milésima Detective Comics oito décadas após a aparição original do guardião de Gotham City. Nos quadrinhos, Batman já passou pelas habilidosas mãos de criadores como Frank Miller, Alan Moore e Neil Gaiman, vivendo diversas fases — mais cômicas no começo, passando para tons mais soturnos, chegando a histórias de forte teor psicológico e até, mais recentemente, questionando sua vida dedicada ao combate ao crime, quando, recentemente, o arco narrativo escrito por Tom King subverteu conceitos do herói, que abandonou a capa para tentar ser feliz.

Não tardou para que Batman saísse dos quadrinhos e invadisse a TV. Na década de 1960, o personagem foi interpretado por Adam West, antagonizado pela cômica versão do Coringa de Cesar Romero. Houve também uma animação iniciada em 1968, ano em que a série live-action foi encerrada. Desde então, Bruce Wayne — e seus coadjuvantes, como Arlequina, Coringa, Mulher-Gato, Bane e Robin — apareceu em diversos programas televisivos, mas o passo adiante em sua carreira seria o cinema.

Após uma série de histórias clássicas dos quadrinhos como A Piada Mortal (1988), de Alan Moore, O Cavaleiro das Trevas (1989), de Frank Miller, e Asilo Arkham (1986), de Grant Morrison, o personagem se credenciou definitivamente para alçar voos mais altos e garantir o público das telonas. O primeiro filme do herói foi dirigido por ninguém menos que Tim Burton, em 1989, e obteve excelente recepção ao mesclar os tons mais sombrios dos quadrinhos com as cores extravagantes e o alívio cômico da televisão. No entanto, os filmes seguintes, lançados nos anos 1990, decepcionaram e fizeram o herói amargar alguns anos na geladeira. Inclusive, Batman & Robin (1997), de Joel Schumacher, ficou marcado como um dos piores filmes do gênero em todos os tempos — George Clooney já pediu desculpas publicamente algumas vezes por sua atuação no longa. 

Embora nos quadrinhos o Batman nunca tenha perdido sua relevância, um ano importante para o renascimento do herói em outras mídias foi 2005. Com o lançamento de Batman Begins a trilogia dirigida por Christopher Nolan tinha início. Cavaleiro das Trevas (2008), que contou com a impressionante atuação de Heath Ledger como o Coringa, arrebatando prêmios como o Oscar, o Globo de Ouro, o Bafta e o prêmio do Sindicato dos Atores, foi o filme que praticamente consolidou o gênero de super-heróis como um formato viável nos cinemas, no mesmo ano em que outro bilionário mascarado, Tony Stark, ganhava seu primeiro filme e dava início ao universo cinematográfico da Marvel.

Se o Cavaleiro das Trevas ecoa no cinema até hoje, no ano anterior, em 2007, o herói deixou sua marca definitivamente nos games. Batman já havia ganhado jogos para várias plataformas, como Nintendo, Super Nintendo, Playstation, Genesis e PC, desde os anos 1980. Mas a adaptação da HQ Asilo Arkham para o mundo eletrônico pelo estúdio Rocksteady foi tão bem-sucedida em Batman: Arkham Asylum (2007), Arkham City (2011) e Arkham Knight (2015), que até hoje os games de ação têm elementos do combate e da jogabilidade introduzidos na série do herói — incluindo o recente Marvel’s Spiderman, de 2018, que se inspirou bastante nos jogos do concorrente.

A mais recente encarnação do Batman nos cinemas, de Ben Affleck, talvez não tenha sido a mais auspiciosa, tendo em vista as reações mistas a filmes como Batman Vs. Superman (2016) e Liga da Justiça (2017), que obrigaram a DC a repensar seu universo compartilhado no cinema. Entretanto, aos 80 anos, Batman segue sendo um dos principais personagens da editora, ao lado do Super-Homem e da Mulher-Maravilha, e uma dos mais influentes criações de toda a cultura pop.

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​Trivia: Teste seus conhecimentos sobre o universo do Batman​

Personagem do Homem-Morcego chega aos 80 anos da sua primeira aparição nos quadrinhos, e sua presença hoje é universal na cultura pop; mas o quanto você conhece dele?

Guilherme Sobota, O Estado de S. Paulo

04 de setembro de 2019 | 07h00

Não é exagero dizer que nos 80 anos desde sua primeira aparição, Batman se instalou no imaginário da cultura pop ocidental, espalhando sua influência dos quadrinhos para a TV, cinema, música, videogames e praticamente qualquer outra plataforma imaginável.

São Paulo recebe até o dia 15 de dezembro, no Memorial da América Latina, Batman 80 - A Exposição, mostra inédita no mundo com mais de 500 itens raros do universo do herói de Gotham City, além de uma cenografia especial com diversas informações sobre Batman, Coringa, Mulher-Gato e os muitos outros personagens da saga.

Uma boa forma de admirar objetos pouco vistos até hoje, mas também de adquirir conhecimentos sobre o Batman. A exposição abre na quinta-feira, 5 de agosto, mas até lá você mesmo pode testar seus conhecimentos no Homem-Morcego com o quiz abaixo (se as respostas não te agradaram, volte após a visita à exposição!).

 

 

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