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Batina justa

Quem é o bispo argentino Fernando Bargalló, flagrado em cenas calientes em um resort mexicano

Juliana Sayuri,

01 de julho de 2012 | 04h09

Bargalló pecou. Nem tanto pelos afagos trocados com uma loira argentina no mar cristalino de um luxuoso resort mexicano. Mas pelo flagra, que faria ruborizar quem quer que tenha, em épocas mais pudicas, se escandalizado com o beijaço de Burt Lancaster e Deborah Kerr em A um Passo da Eternidade, de 1953. E os tabloides não perdoam amores de verão - no Brasil, nem Chico Buarque e a misteriosa morena na praia do Leblon, nem Luana Piovani, comprometida, e o cacho Cristiano Rangel, em Salvador, escaparam dos paparazzi.

 

Os folhetins hermanos tampouco perdoaram o carinho enroscado entre o monsenhor argentino Fernando Bargalló e a empresária María de las Victorias Teresa Martínez Bo,"Mariví", para os íntimos, nas férias de janeiro de 2011em Puerto Vallarta, destino mundialmente manjado desde a década de 1960 por abrigar os cafunés hollywoodianos de Richard Burtone Elizabeth Taylor.

 

Nas fotografias do comentado encontro, um bronzeado bispo de bermudão colorido abraça a loiraça de 50 e poucos anos, que exibia um sorriso oceânico no rosto e um biquíni cortininha no corpão. Eis que o bispo, sagitariano de 1954, padre desde 1978, presidente da Caritas na América Latina desde 2007, foi à imprensa para tentar esclarecer as benditas férias. Em discurso sério e sereno, reiterado pela pesada batina e pelos óculos quadrados, disse à TV América 24: "É uma amiga de infância. Eu a conheço desde que tenho uso da razão".

 

Segundas intenções e primeiras inocências à parte, não era um testemunho inteiramente falso.De fato, Bargalló e Mariví se conhecem há tempos: vindos de famílias tradicionais de San Isidro, os dois selaram uma amizade, colorida quiçá, desde a adolescência. Na década de 1990, o padre até celebrou o casamento de Mariví com o médico e jogador de rúgbi Ricardo César Mastai, hoje ex-marido. Também batizou Andrés, Jaime e Sofía, os três filhos da amiga de longa data - Jaime, aliás, é afilhado de Bargalló. Ainda diante das câmeras, mas já com uma voz embargada poru m pesado sotaque portenho, ritmado por uma pontinha de embaraço, pediu desculpas: "As fotos ambíguas só expressam o marco de uma grande amizade. Lamento que aquela situação, por minha imprudência, possa dar lugar a más interpretações. Estou totalmente comprometido com Deus na missão a mim confiada na querida diocese de Merlo-Moreno e nas demais responsabilidades do meu sacerdócio".

 

Mas a historieta não convenceu. Dias depois, Bargalló confessou o romance. A trajetória detalhada da escapulida amorosa foi parar nas páginas da argentina Perfil: no verão de 2011, os amantes alçaram voo em companhias aéreas diferentes de Buenos Aires com destino a Miami, onde fizeram escala para o México. Ali se encontraram e finalmente iniciaram uma viagem romanticamente pontilhada pela quebra do celibato religioso em hotéis cinco estrelas de Puerto Angel, Puerto Escondido e outros puertos de nomes menos simbólicos. O duro foi que o tango argentino encontrou os versos mexicanos de Besame Mucho e a novela foi parar nos ouvidos do papa Bento XVI graças ao arcebispo suíço Emil Tscherrig. Na segunda-feira, monsenhor Bargalló enfim renunciou à diocese de Merlo-Moreno, na Província de Buenos Aires.

 

O sumo pontífice nem hesitou. Renúncia aceita, carimbada, despachada. Bargalló não é o único e não vai ser o último prelado a, digamos, cair em tentação. O reverendo pop Alberto Cutié, "FatherOprah" para os fiéis americanos, abandonou os primados católicos apostólicos romanos e aderiu às teses anglicanas depois que um tabloide publicou fotos suas aos chamegos com a namorada nas areias de Miami. O ex-bispo e ex-presidente Fernando Lugo preferiu a ironia: "Todos serão bem-vindos",disse, a respeito do reconhecimento de filhos que não param de lhe aparecer em todo o território paraguaio. E há também os mais organizados. O bispo argentino de Avellaneda, Jerónimo Podestá (1920-2000), assumiu publicamente o namoro com Clelia Luro, não quis renunciar aos votos, casou e deflagrou o movimento da Federación Latino-americana de Sacerdotes Casados. Noves fora, o porta-voz da Santa Sé, Federico Lombardi, não quis comentar o affair Bargalló. Mas, com uma escusa singela, parece ter deixado claro que em tempos de VatiLeaks, padres pedófilos e cartas comprometedoras, ceder aos encantos femininos não deve ser tão grave: "É um pecado, e não um crime".

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