Archivision/Divulgação
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Bases de um novo mundo

No MAM, arquitetos tratam da necessidade de adaptação aos desafios do século 21

Camila Molina, O Estado de S.Paulo

20 Abril 2011 | 00h00

Como adaptar o mundo à crise energética e às mudanças climáticas? Essa foi a pergunta que motivou a concepção da mostra Morada Ecológica, que o Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM) exibe a partir de hoje em sua Grande Sala. A exposição, já apresentada na Europa, chega ao Brasil como fruto de parceria firmada entre o MAM e a Cité de l"Architecture & du Patrimoine de Paris. Mostra com curadoria da francesa Dominique Gauzin-Müller, reúne projetos criados por arquitetos, na maioria, estrangeiros - há apenas um brasileiro, José Zanine Caldas (1919- 2001) -, que lidam, fundamentalmente, com a relação arquitetura e sustentabilidade.

"O debate não se limita à questão do modo de construir edifícios que economizem energia, mas também coloca, de maneira mais geral, a questão do desenvolvimento urbano do século 21", afirma François de Mazières, presidente da Cité de l"Architecture & du Patrimoine. Por meio da parceria realizada com o MAM, a instituição francesa está exibindo, desde 23 de março e até 24 de julho, a mostra brasileira Roberto Burle Marx: A Permanência do Instável, com curadoria de Lauro Cavalcanti (já apresentada em São Paulo e no Rio). Morada Ecológica se incorpora ao projeto curatorial que o MAM vem desenvolvendo recentemente, o de apresentar exposições relacionadas à arquitetura (leia mais ao lado) - e tratar de ecologia.

Contemporânea. "A arquitetura contemporânea ecológica é uma realidade a se concretizar", afirma Dominique Gauzin-Müller. "O conceito da curadora trata essencialmente que a arquitetura precisa incorporar pensamentos de outras áreas, como a filosofia e a sociologia. Isso é o que ela chama de pensamento holístico", diz o curador do MAM, Felipe Chaimovich.

Morada Ecológica centra-se na arquitetura contemporânea, mas há um segmento que pode ser considerado histórico, o dos arquitetos precursores de uma questão hoje tão em voga, o debate sobre a sustentabilidade. Estão no núcleo, por exemplo, a casa de pedra e madeira abrigada em uma colina de Taliesin (Wisconsin, EUA), projeto de 1911 do norte-americano Frank Loyd Wright (1868-1959), assim como criações do finlandês Alvar Aalto (1898-1976), do australiano Glenn Murcutt (nascido em 1936) e de Zanine, representado pela residência concebida para a bailarina Marcia Haydée, em Itaipava, na serra fluminense (o baiano tinha como marca usar troncos de árvores brasileiras).

Em seguida, a mostra apresenta projetos contemporâneos que tratam de questões como soluções tecnológicas (incluindo a low tech), reciclagem de materiais e desafios para lidar com energia) - mas, sobretudo, do ponto de vista europeu. "A arquitetura francesa, pioneira da bioclimática na década de 1970, volta a se unir a esse fortíssimo fluxo mundial", afirma Dominique, também autora do livro Arquitetura Ecológica, lançado pela editora Senac. A exposição, assim, coloca obras como as do conceito de "moradia de construção própria", do chileno Alejandro Aravena, e dos ingleses Sarah Wiggleworth e Jeremy Till.

MORADA ECOLÓGICA/RAZÃO E AMBIENTE

MAM. Av. Pedro Álvares Cabral, s/nº, Pq. do Ibirapuera, tel. 5085- 1300. Das 10 h/ 17h30 (fecha 2ª).

R$ 5,50 (dom. grátis). Até 26/6

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