O escritor Bartolomeu Campos de Queirós - Divulgaç
O escritor Bartolomeu Campos de Queirós - Divulgaç

Bartolomeu Campos de Queirós e Suzana Montoro vencem Prêmio SP

Anúncio da premiação literária aconteceu nesta segunda-feira, 24, no Museu da Língua Portuguesa

MARIA FERNANDA RODRIGUES - O Estado de S.Paulo,

26 de setembro de 2012 | 03h43

Ao longo de seus 67 anos, o escritor Bartolomeu Campos de Queirós ganhou prêmios diversos como o Jabuti e o 4.º Prêmio Ibero-americano SM de Literatura Infantil e Juvenil, que venceu por unanimidade em 2008. Dois anos depois, foi finalista do internacional Hans Christian Andersen, considerado o Nobel da literatura infantil. Nunca, porém, ganhou um prêmio tão alto quanto o São Paulo de Literatura, que paga R$ 200 mil.

Na noite de segunda-feira, em cerimônia no Museu da Língua Portuguesa, seu nome foi anunciado como o autor do melhor livro de 2011: Vermelho Amargo (Cosac Naify). Bartolomeu morreu em janeiro, em decorrência de insuficiência renal. Não era casado e não tinha filhos e a premiação, como prevê o regulamento, vai para seus herdeiros legais.

O mineiro publicou 40 livros durante sua carreira - a maior parte dedicada ao público juvenil, como o que entregou à Cosac Naify quatro dias antes de morrer. Elefante, um texto poético em que o narrador conversa com seu inconsciente sobre os limites do amor, deve ser lançado em maio. Tão importante quanto sua produção literária era seu engajamento na questão da leitura e da formação de leitores. Por isso, ocupava-se da capacitação de professores, fazendo palestras aqui e ali.

Vermelho Amargo, que concorre ainda ao Prêmio Portugal Telecom, revisita a infância triste do narrador, marcada pela ausência da mãe e presença de um pai alcoólatra. A curta história, que "expressa com densidade reflexiva a vivência subjetiva do personagem principal", nas palavras da comissão julgadora, desbancou outros bons livros. Estavam no páreo Diário da Queda, de Michel Laub; Domingos Sem Deus, de Luiz Ruffato; A Vendedora de Fósforos, de Adriana Lunardi; Herança de Maria, de Domingos Pellegrini; Don Solidon, de Hélio Pólvora; Perdição, de Luiz Vilela; Habitante Irreal, de Paulo Scott; Em Nome do Pai dos Burros, de Silvio Lancellotti; e Dois Rios, de Tatiana Salem Levy.

Mas a noite não foi só de homenagens a Bartolomeu - que, aliás, foram discretas. Psicóloga por formação e ocupação, Suzana Montoro venceu na categoria autor estreante com Os Hungareses, seu primeiro romance, e também ganhou R$ 200 mil. Escritora nas horas vagas, já publicou quatro infantojuvenis, e espera agora o resultado do Jabuti em outubro. Nem Eu Nem Outro é finalista na categoria juvenil. Enquanto isso, escreve outra novela para adolescentes.

A história de seu premiado livro a acompanha desde 1994. Foi de sua sócia no consultório que ouviu sobre um certo sítio em Aguaí, no interior de São Paulo, do qual emprestou o título de seu romance e onde imigrantes húngaros, na esperança de passar dos 100 anos, viviam de forma, como diz, "excêntrica". Eles seguiam uma doutrina naturalista e só se alimentavam de coisas cruas, usavam o mínimo de roupa possível e tomavam banho de sol escaldante para depois mergulhar no rio gelado.

No início dos anos 90, começou a conversar com esses húngaros e a colecionar histórias. Em 1997 foi à aldeia onde a mãe dessa sócia, que inspirou sua protagonista, viveu - hoje, pertence à Sérvia; na época de sua personagem, ficava na Hungria. Começou a escrever em 2001, mas parou. Foi só em 2010 que engatou na escrita e conseguiu terminar a obra, selecionada em 2010 pelo Proac - Programa de Ação Cultural -, da Secretaria de Estado da Cultura. Não procurou editoras grandes para publicar seu recém-concluído livro e bateu logo à porta da editora de outra amiga, a Ofício das Palavras.

Realidade e ficção se encontram na obra. Há quem, vivendo na comunidade, diga que nada daquilo aconteceu. E há quem se veja ali. Da sensibilidade da psicóloga, nasceu uma nova história. "Literatura e psicologia são duas vertentes do mesmo rio e ambos exigem um olhar para o exterior e para o interior. Minha literatura traduz muito a psique das pessoas", diz Suzana.

Ela concorreu com Ana Mariano (Atado de Ervas); Bernardo Kucinski (K.); Chico Lopes (O Estranho no Corredor); Edmar Monteiro Filho (Fita Azul); Eliane Brum (Uma Duas); Julián Fuks (Procura do Romance); Luciana Hidalgo (O Passeador); Marcos Bagno (As Memórias de Eugênia) e Susana Fuentes (Luzia).

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