Barrio representa o Brasil em Veneza

A Fundação Bienal de São Paulo anunciou ontem que o artista Artur Barrio (foto) vai representar o Brasil na 54.ª Bienal de Veneza, que ocorrerá entre 4 de junho e 27 de novembro de 2011. Ele vai ocupar com instalação inédita o Pavilhão Brasil, abrigado nos Giardini de Veneza, construído em 1966 e sob os cuidados do Ministério das Relações Exteriores (MRE). A escolha foi feita pelos curadores-gerais da atual 29.ª Bienal de São Paulo, Moacir dos Anjos e Agnaldo Farias, já que a instituição brasileira é responsável pela indicação da representação nacional na mostra italiana.

Camila Molina, O Estado de S.Paulo

10 de novembro de 2010 | 00h00

Barrio, nascido em Portugal em 1945, vive no Brasil desde 1955. "Estou de acordo e contente por representar o Brasil. Meu trabalho começou aqui", afirmou o artista ao Estado, por telefone, do Rio, onde vive. "Estamos numa democracia, mas o sistema social brasileiro ainda é falho. Entretanto, neste momento, tenho a minha liberdade", continua Barrio, que durante a ditadura militar, em 1969, criou um de seus mais emblemáticos trabalhos, trouxas ensanguentadas, numa referência direta ao contexto político.

A Bienal de Veneza tem dois ramos: mostra no Arsenale e no Pavilhão Itália nos Giardini sob curadoria de um convidado - no caso da 54.ª edição, da suíça Bice Curiger, que escolheu como tema Iluminações -; e exposições de artistas escolhidos pelos países em seus próprios pavilhões na cidade italiana.

Atualmente, Barrio participa da 29.ª Bienal de São Paulo, critério que a instituição colocou para a seleção do nome que representaria o País em Veneza. Como afirmou Moacir dos Anjos, a escolha por Barrio, criador consagrado - ele inclusive fez importante participação na 11.ª Documenta de Kassel, em 2002 -, foi unânime. "Há uma chave que se repete no cenário internacional, a do Brasil solar, do neoconcretismo, da arquitetura moderna. Barrio está na chave do inacabado, do sujo, que é importante para refletir o Brasil contemporâneo", diz. Segundo o curador, há o projeto de também alugar espaço em Veneza para fazer uma mostra histórica e complementar de Barrio no período. O patrocínio será do Ministério da Cultura e do MRE via Lei Rouanet.

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