Felipe Branco/Estadão
Felipe Branco/Estadão

Barítono Paulo Szot se apresenta na Sala São Paulo

Cantor une repertório de ópera com clássicos de musicais no último concerto do ano do projeto Música pela Cura

UBIRATAN BRASIL - O Estado de S.Paulo,

27 de novembro de 2012 | 02h13

A música ofereceu novos horizontes para o barítono Paulo Szot - cantor de ópera, sempre se destacou pelo tipo físico, o colorido vocal e a energia cênica; nos musicais, surpreendeu ao interpretar o sedutor Emile de Becque, do clássico South Pacific, papel que lhe garantiu o Tony de melhor ator em 2008, feito inédito para um brasileiro. Com um leque tão extenso, Szot (pronuncia-se 'chót') enfrenta com bravura tanto a Canção do Toureador, de Carmen, na qual explora com desenvoltura a tessitura da voz, como Some Enchanted Evening, canção standard de South Pacific, melódica e envolvente.

Tal versatilidade poderá ser comprovada hoje, na Sala São Paulo, quando Paulo Szot faz o último concerto do ano do projeto Música pela Cura, série internacional realizada pela TUCCA, a Associação para Crianças e Adolescentes com Câncer. Acompanhado pela Orquestra Sinfônica do Conservatório de Tatuí e sob a regência do maestro João Maurício Galindo, o intérprete de 43 anos, descendente de poloneses, não esconde um certo nervosismo. "Visitei as crianças assistidas pela TUCCA e fiquei emocionado com o trabalho realizado lá", disse ele, em conversa com o Estado. "Senti aumentar minha responsabilidade nesse concerto."

A segurança estará de volta certamente quando pisar o palco da Sala São Paulo - Szot escolheu um repertório no qual trafega com tranquilidade, variando entre as obras de Richard Wagner e Gustav Mahler e as célebres canções de Rodgers e Hammerstein, Cole Porter, sem se esquecer da música brasileira, bem representada por Tom Jobim, Chico Buarque e Pixinguinha. "São temas que se adaptam bem à minha voz, além de realizar minha vontade de cantar músicas do Brasil."

Paulo Szot desfruta de uma liberdade única - depois de enfrentar tanto a cara amarrada dos cantores de ópera, que não toleravam a "traição" de quem envereda para o musical, como de seus colegas de Broadway, inicialmente céticos quanto à capacidade de atuar dos que vêm da ópera, ele consegue hoje mesclar plateias que habitualmente não se misturavam. "Percebi que diversas pessoas que me viram atuar em South Pacific ficaram curiosas e assistiram também às óperas. E também o contrário aconteceu", festeja.

A transição, aliás, da ópera para os musicais, seguiu um roteiro que inspiraria um bom filme: foi durante uma apresentação em Boston, em 2007, que seu agente o convenceu a participar das audições para uma nova montagem South Pacific, clássico da dupla Richard Rodgers e Oscar Hammerstein II. Bastou um teste para os produtores constatarem que Szot tinha tudo para criar o perfil do sedutor Emile de Becque, fazendeiro francês que mantém um romance com uma enfermeira americana (Kelli O'Hara), em uma ilha da Polinésia.

Sua rotina, agora, se divide. Szot vai se apresentar no Scala de Milão, enquanto estuda papel para um novo musical. "Sempre quis ser cantor, independente do estilo", confessa. "O que realmente importa é cantar uma boa música."

PAULO SZOT

Sala São Paulo. Praça Júlio Prestes, s/nº, tel. 3223-3966.

Nesta terça-feira, 27, 21 h. R$ 250/ R$ 300.

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