Bar da Vila Madalena só toca disco de vinil

Não perca tempo para pedir outra coisa. O bar só tem bolachas. Não as de comer, mas as de ouvir. O Tocador de Bolachas, na Vila Madalena, abriu suas portas em janeiro para deixar rodar à vontade os LPs do acervo da proprietária Stella Guerreiro, de 41 anos. Namorada do compositor e violonista conhecido como Mineiro, ela sentia falta de um lugar na noite para conversar e ouvir boa música sem precisar se esgoelar por causa do alto volume das pistas de dança. Abriu o próprio bar e resolveu o dilema. Escondido no único quarteirão da Rua Patizal, (entre as badaladas Girassol e Harmonia), o ambiente se inspira no saudosismo do disco em vinil. Não só na trilha sonora, mas na decoração e no cardápio também. O jogo americano é composto por réplicas de capas de LPs plastificadas e um gramofone dá as boas vindas aos visitantes já na entrada. "O bolachão é muito mais palpável, o som é melhor que o do CD e, além disso, tem uma certa magia", justifica Stella. Os sanduíches (todos entre R$ 4 e R$ 6,50) foram batizados com nomes de grandes violonistas brasileiros - Baden Powell, Paulinho Nogueira, Dilermando Reis e Luiz Bonfá - e o muro branco da fachada traz transcrição de versos de Paulinho da Viola, Lupicínio Rodrigues e Chico Buarque. Na agulha da vitrola, bolachões de Egberto Gismonti, Astor Piazzolla e Pat Metheny se revezam e preenchem os espaços vazios - ainda em busca de uma clientela de alta fidelidade.

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