REPRODUÇÃO / BANKSY
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Banksy mostra na Cisjodânia uma obra de Natal crítica e sombria

Em pleno territõrio árabe, artista britânico monta presépio que tem como cenário sobre o menino Jesus um muro alvejado por um disparo, criando a forma de uma cruz

O Estado de S.Paulo, O Estado de S.Paulo

23 de dezembro de 2019 | 11h26

Uma pequena manjedoura de Natal protegida por pequenos fragmentos de muro atravessados por um obus: a obra mais recente do misterioso artista Banksy foi revelada na sexta-feira na simbólica cidade de Belém, na Cisjordânia ocupada. O artista britânico, que não revela sua identidade, não compareceu à apresentação da obra, que tem como título a A cicatriz de Belém.

A obra está exposta na entrada do hotel Walled-Off, que Banksy abriu em 2017 na cidade palestina. Todos os quartos do estabelecimento têm vista para o muro erguido por Israel. Pequenos fragmentos de muro, nos quais algumas inscrições fazem apelos à paz e ao amor, servem de segundo plano ao presépio criado sobre uma pequena mesa com presentes a seus pés.

O impacto de obus no muro permite pensar em uma estrela sobre o conjunto da Virgem Maria, José e o menino Jesus, que aparecem ao lado de uma vaca e um burro. Para o gerente do hotel, Wissam Salsaa, A cicatriz de Belém simboliza uma "cicatriz da vergonha".

Israel iniciou em 2002 a construção de uma barreira composta por blocos de cimento de vários metros de altura para proteger seu território das incursões procedentes da Cisjordânia, em plena onda de atentados palestinos durante a segunda Intifada (2000-2005). Os conflitos, o muro e os territórios palestinos são, há muito tempo, fonte de inspiração para Banksy, famoso por suas pinturas em espaços públicos. Com este trabalho ele contribui "a sua maneira" para as festas de Natal na próxima semana na cidade de Belém, onde, segundo a tradição cristã, nasceu Jesus.

Banksy "tenta divulgar a voz dos palestinos no mundo por meio da arte e cria um novo modelo de resistência graças a esta arte", declarou Salsaa.

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